segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA UTI

ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA UTI

A

Unidade de Terapia Intensiva (UTI) caracteriza-se como um local para o adequado tratamento de indivíduos acometidos por distúrbio ou instabilidade clínica e o com potencial de gravidade importante. Esta unidade terapêutica é um ambiente de alta complexidade destinada a pacientes em estado crítico que apresentam descompensação de um ou mais sistemas orgânicos que necessitam de um rigoroso sistema de monitorização contínua e ao mesmo tempo permite que os mesmos recebam uma rápida abordagem terapêutica. A equipe que atua e presta atendimento neste local é multiprofissional, e é constituída por: médicos, enfermeiros, fisioterapeuta intensivista, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.

Neste contexto o fisioterapeuta intensivista desempenha um papel importantíssimo, pois é dele a responsabilidade, de uma visão complexa e geral do paciente, ou seja, ele detém amplo conhecimento e prática do funcionamento do sistema respiratório, bem como, de todas as atividades que se correlacionem com a otimização ventilatória do individuo internado na UTI. O papel principal do fisioterapeuta intensivista é auxiliar na manutenção das funções vitais de diversos sistemas corporais, pois é atuante tanto na prevenção e/ou no tratamento das doenças cardiopulmonares, circulatórias e musculares, reduzindo assim o índice de possíveis complicações clínicas. Também atua na melhora do suporte ventilatório, através da monitorização contínua dos gases que entram e saem dos pulmões, respectivamente, PaO2 e PaCO2, ajustes nos respiradores artificiais para adequar o paciente a uma ventilação mais “fisiológica” quando este é submetido à ventilação mecânica invasiva. O fisioterapeuta também possui o objetivo de trabalhar a força muscular acometida, diminuir a retração de tendões e evitar os vícios posturais que podem provocar contraturas e úlceras de pressão no ambiente de terapia intensiva.

O intensivista no ambiente de terapia intensiva, conta com auxilio de diversas técnicas e recursos terapêuticos que podem ser aplicados em diversas fases do tratamento e de acordo com a clínica do paciente que no ambiente de UTI são mais suscetíveis as patologias do trato respiratório. Dentre eles podemos citar: técnicas de higiene e desobstrução brônquicas pulmonares: Drenagem postural, vibrocompressão, tosse dirigida, glossopulsão retrógrada (lactentes), aumento do fluxo expiratório (AFE), técnica de expiração forçada, drenagem autógena, expiração lenta total com a glote aberta (ELTGOL), e em casos de pacientes que não conseguem tossir ou expelir naturalmente o acúmulo de secreção pulmonar é realizada a aspiração traqueobrônquica seja através de tubo orotraqueal e traqueostomia ou nasotraqueal e orotraqueal. Técnicas de expansão pulmonar: exercícios diafragmáticos, reequilíbrio toraco-abdominal, inspiração profunda, inspiração em tempos com ou sem pausa inspiratória, exercícios de expansão torácica localizada, espirometria de incentivo, instituição de ventilação mecânica não-invasiva através de respiração com pressão positiva dentre elas RPPI, CPAP e Bi-level, técnica esta que promove conforto para o paciente, redução do trabalho respiratório, melhora nas trocas gasosas e aumento de volumes e capacidades pulmonares quando aplicada de forma correta.

Cabe ao profissional intensivista também o uso de manobras ventilatórias como as de compressão e descompressão torácica e direcionamento de fluxo aéreo, orientações quanto aos exercícios respiratórios e músculos-esqueléticos, utilização de instrumentos que auxiliam nestas terapêuticas como: Respiron, EPAP, Shaker/Flutter, Threshold e implementação da oxigenoterapia empregada através de cateter nasal ou máscaras faciais que é indicada e acompanhada através de avaliações gasométricas diárias. Monitorização gráfica em pacientes em VMI observando a necessidade e clínica dos pacientes para a necessidade de mudança dos parâmetros ventilatórios e para avaliação da extubação (retirada do tubo orotraqueal e interrupção da ventilação mecânica) ou desmame do suporte ventilatório.

Neste contexto, as vantagens de se ter um fisioterapeuta especialista em terapia intensiva em sua equipe multidisciplinar: É de suma importância, visto que se evidencia a redução de complicações do quadro respiratório e muscular, redução do sofrimento dos pacientes, permite a liberação mais precoce dos pacientes e assegura vagas dos leitos hospitalares. A atuação profissional também reduz de forma significativa os riscos de infecção hospitalar e das vias aéreas respiratórias, proporciona economia nos recursos financeiros que seriam usados na compra de antibióticos e outros medicamentos de alto custo. Diante disso, a atuação do fisioterapeuta especialista nas unidades de terapia intensiva implica em benefícios principalmente para os pacientes, mas também para o custo com a saúde de forma geral.

ROSIANE BENTES PINTO, Especializanda de Terapia Intensiva, FCECON, Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva- SOBRATI.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Fisioterapia Respiratória no Paciente Critico: Rotinas clínicas; Geoger Jerre Vieira Sarmento, 2ª Ed- Barueri, SP: Manole, 2007.
  2. O ABC da Fisioterapia Respiratória; Geoger Jerre Vieira Sarmento; Barueri, SP: Manole, 2009.
  1. Fisioterapia Respiratória/Uma Nova Visão: Bruno Lombaerde Varella Presto; Luciana Damázio de Noronha Presto, RJ: Copyright, 2003.
  2. Exercícios Terapêuticos/ Fundamentos e Técnicas: Carolyn Kisner; MS; FT; Lynn Allen Colby. 4ª Ed, SP: Manole, 2005.
  3. Medicina de Reabilitação: Lianza Sergio. 4ª Ed, RJ: Guanabara Koogan, 2007.
  4. Fisioterapia Avaliação e Tratamento: Susan O’ Sullivan, Thomas J Schinitz: 4ª, SP: Manole, 2004.
  5. Fisioterapia Respiratória em Unidades de Terapia Intensiva. SP: Panamericana, 1994.
  6. www. Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia Intensiva – ASSOBRAFIR.
  7. www. Fisiointensiva.com.br
  8. www.coffito.org.br
  9. www.medicinaintensiva.com.br

domingo, 30 de janeiro de 2011

AUTO PEEP E REPERCUSSÕES CARDIOVASCULARES

A pressão positiva expiratória final (PEEP) tem como objetivo melhorar a oxigenação arterial em situações clínicas em que ocorra dificuldade nas trocas gasosas. Seu principal efeito é a promoção de um aumento da capacidade residual funcional (CRF). Sua aplicação é gradual e lenta, pois PEEP fisiológico varia entre 3 e 5 cm H2O. Durante a aplicação da PEEP sempre observar possíveis implicação na hemodinâmica do paciente.  

INDICAÇÕES
As literaturas mais usuais indicam o uso da PEEP em quadros de hipoxemia e na Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (S.A.R.A.). Entretanto, é constatado na prática que não é somente nesses casos que usamos a PEEP. Uma das eficácias vista no dia-a-dia é o uso desta na proteção alveolar, redistribuição da congestão pulmonar, em manobras desobstrutivas, entre outros. 

CONTRA-INDICAÇÃO
As contra-indicações mais citadas atualmente são classificadas mais como relativas do que absolutas. Como exemplo, podemos citar o enfisema pulmonar. Neste caso, para haver algum efeito deletério, a PEEP deverá vencer o gradiente pressórico e resistivo local da bolha enfisematosa, caso contrario, não haverá intercorrência. Em de hipotensão arterial sistêmica, só é contra-indicado o uso da PEEP se esta produzir pressão média intratorácica maior que a pressão venosa central (PVC), para de certa forma diminuir o retorno venoso de forma considerável, interferindo no mecanismo de Franklin 
Starling, ou seja, produzir baixo débito cardíaco. 

EFEITOS COLATERAIS
Os efeitos colaterais mais comuns são: instabilidade hemodinâmica; barotrauma e Acidose Respiratória. Efeitos esses devidos aplicação indevida da PEEP, somada a principalmente a altas freqüências respiratórias, que acarretam o aparecimento de auto peep dinâmica e a soma em serie desses valores, alterando não só a dinâmica ventilatória, como também traduz em alterações clínicas importantes. 
EFEITOS PULMONARES
- Aumento da Capacidade Residual Funcional; 
- Redistribuição da água extravascular pulmonar (congestão pulmonar); 
- Recrutamento alveolar; 
- Aumento volume de gás alveolar; - Diminuição do shunt intrapulmonar; 
- Melhora na relação V/Q; 
- Melhora na complacência pulmonar 
A auto-PEEP é conceituada como a persistência de uma pressão alveolar positiva, ao final da expiração, não intencional, devido à presença de um volume pulmonar expiratório final maior do que a capacidade residual funcional prevista. Ocorre em pacientes submetidos a VPM, em conseqüência de o aparelho de ventilação iniciar uma fase inspiratória com pressão positiva, antes que o tempo expiratório tenha sido suficiente para a exalação completa do volume inspirado anteriormente. O resultado deste fenômeno é um aumento progressivo do volume pulmonar e da pressão pleural a cada respiração, elevando a pressão de retração tecidual a um nível crítico, capaz de determinar um aumento do fluxo expiratório suficiente para abrir a via aérea e reduzir a resistência ao fluxo. No ponto correspondente ao nível crítico, o volume pulmonar estabiliza-se, de modo que todo o volume corrente passa a ser expirado às custas de um aumento na pressão pleural. Pode hiperdistender os alvéolos, predispondo ao barotrauma, diminuir a complacência pulmonar e a ventilação alveolar devido ao aumento do espaço morto, comprometer o fluxo sangüíneo brônquico e aumentar a permeabilidade capilar alveolar.
Aumenta, também, a pressão intracraniana e compromete a função renal. Do mesmo modo que a PEEP aplicada, a auto-PEEP pode ter efeitos hemodinâmicos adversos, produzindo leituras falsas das pressões das câmaras cardíacas e dos vasos pulmonares. 
A auto-PEEP não é evidente, a menos que seja pesquisada com técnicas adequadas, podendo alterar agudamente a dinâmica alveolar e constituir um risco reconhecido em situações que afetam o fluxo durante a expiração, levando a um aumento desnecessário do trabalho mecânico do sistema respiratório. 
Clinicamente a presença de auto-PEEP deve ser suspeitada em todos os pacientes com obstrução das vias aéreas, principalmente naqueles com freqüência respiratória e/ou volume corrente altos, naqueles com sibilos até o final da expiração e naqueles com fluxo expiratório ainda presente quando do início da próxima inspiração.  
Embora auto-PEEP e hiperinsuflação pulmonar dinâmica sejam utilizados habitualmente como sinônimos, um não implica necessariamente o outro. A auto-PEEP pode ser observada em pacientes sem hiperinsuflação dinâmica, devido a ajustes no aparelho de ventilação pulmonar mecânica que elevam excessivamente o volume minuto, como pressões inspiratórias, freqüências respiratórias, volumes correntes e pressões de distensão (PEEP ou CPAP) altas, tempos inspiratórios longos ou tempos expiratórios curtos. Ocorre, também, devido à grande resistência ao fluxo aéreo oferecida pela cânula endotraqueal e pelos componentes do aparelho de ventilação pulmonar mecânica (circuito e válvula expiratória), que aumentam as constantes de tempo. Nos indivíduos normais, fisiologicamente ao final de uma expiração normal, a pressão dentro das vias aéreas e alvéolos é igual à atmosférica, resultando em uma ausência de fluxo, enquanto que na circunstância de auto peep a pressão excede a atmosférica A auto-PEEP afeta a mecânica respiratória e as trocas gasosas, aumenta o volume residual pulmonar e diminui a complacência. A redução da auto-PEEP diminui a pressão média de via aérea, aumenta a complacência pulmonar e o volume corrente e proporciona a melhora na ventilação alveolar. 
A presença da auto-PEEP pode ser detectada quando, analisando a curva do fluxo ao longo do tempo, observamos que o fluxo expiratório, antes de retornar a zero, é interrompido por uma nova inspiração.  

São três as formas mais difundidas de se medir a auto-PEEP. 
- Ocluir a válvula expiratória imediatamente antes do início da inspiração: observar a elevação da PEEP. O valor dessa elevação é o valor da auto-PEEP. Os respiradores mais modernos possuem uma tecla que deflagra essa manobra, mostrando o valor da auto-PEEP. O paciente não pode interagir com o respirador durante essa manobra, havendo muitas vezes necessidade de sua sedação ou até mesmo curarização. 
- Medir a pressão de platô do paciente: promover uma pausa expiratória longa (30s) e repetir a medida da pressão de platô. A diferença entre as duas medidas é o valor da auto-PEEP. Aqui também o paciente não pode interagir com a ventilação. 
- Medir a pressão esofágica: estima a pressão pleural. A auto-PEEP corresponde ao valor da pressão esofágica gerada até que se inicie o fluxo inspiratório. Essa forma de medida da auto-PEEP deixa evidente o trabalho respiratório que ela impõe ao paciente, ou seja, o paciente deve gerar uma pressão igual à auto-PEEP para depois iniciar seu fluxo inspiratório ou disparar o ventilador. 

REPERCUSSÕES CARDIOVASCULARES
• Redução do retorno venoso (podendo comprometer o débito cardíaco, principalmente em situações de 
hipovolemia) 
• Redução da pré-carga de VD e VE 
• Elevação da pós-carga de VD  
• Redução da complacência do VE  
• Dissociação eletro-mecânica REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  
REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
COSTA, Dirceu. Fisioterapia Respiratória Básica. São Paulo: Atheneu, 1999. 
www.asmabronquica.com.br 
www.cefir.com.br 
www.fisiocor.com.br 
www.fisiomax.hpg.ig.com.br 
www.sopami.org.br

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sistema de aspiração aberto e fechado

A aspiração traqueobrônquica é indicada aos pacientes que não conseguem tossir ou expelir naturalmente o acúmulo de secreção pulmonar, como pacientes em coma ou mentalmente confusos, no pós- operatório, politraumatizados, em pacientes com doenças pulmonares, traqueostomizados ou com tubo endotraqueal. Portanto, é um procedimento invasivo, e amplamente utilizado pelos profissionais da área da saúde. Tem como objetivo remover as secreções das vias aéreas de pacientes submetidos à ventilação mecânica, permitindo uma melhor ventilação pulmonar. Sendo dividida em duas técnicas fundamentais, em circuito aberto e fechado. Não há evidencias sobre a supremacia entre a aspiração aberta e a fechada. Sendo que independente do sistema de aspiração utilizado, é importante a monitorização dos sinais vitais durante e após a aspiração, para minimizar os efeitos indesejados desse procedimento.

Aspiração com Circuito Aberto

Esse sistema consiste na retirada de secreções endotraqueais via tubo endotraqueal ou traqueostomia, de forma asséptica, por meio de um sistema de sucção, com a introdução de uma sonda nas vias respiratórias do paciente. É o método mais tradicional, e o mais rotineiramente usado na maioria dos serviços. Tem por objetivo manter as vias aéreas livres e permeáveis, garantindo uma ventilação e oxigenação adequada a fim de prevenir complicações no quadro clínico do paciente. Sua vantagem é que por ser um método tradicional, é habilmente e rotineiramente realizado nas unidades de terapia intensiva. Pode ser associada a várias técnicas terapêuticas, muito eficaz na remoção de rolhas, e suas alterações hemodinâmicas como a queda da saturação de oxigênio pode ser rapidamente contornada com o auxilio da ventilação, porém, é de fácil contaminação, exige desconexão do paciente da ventilação mecânica ocasionando a perda da peep e despressurização do sistema, alteração da FiO2e dessaturação.

Aspiração com Circuito Fechado

O sistema fechado de aspiração traqueal TRACH-CARE, é um sistema para realizar aspirações traqueais. É adaptado ao tubo orotraqueal ou à cânula de traqueostomia. O produto consta de uma sonda de aspiração traqueal que é inserida numa manga plástica e conectada diretamente ao paciente, de maneira que ele pode ser aspirado seguidamente sem necessidade de interrupção da ventilação mecânica e sem abertura do sistema para o ambiente. Tem como objetivo aspirar a secreção traqueal do paciente crítico, pois permite a limpeza do muco brônquico sem desconectar o enfermo do respirador dessa forma não há despressurização da via aérea. Suas Vantagens são
o menor risco de hipoxemia, arritmias e de contaminação e deve ser preferido, principalmente em situações nas quais são usados valores de peep elevados, como na lesão pulmonar aguda. Entretanto, suas desvantagens são condensações de água no sistema, dificuldade de uso e diminuição na efetividade da aspiração.

Referências Bibliográficas

CABRAL, Alcirene; OLIVEIRA, Hebe. Técnica de aspiração de sistema aberto em pacientes traqueostomizados e intubados. Serviço de Controle de Infecção Hospitalar Conjunto Hospitalar de Sorocaba. Abril 2008.

EMIDIO, Rosane; BEZERRA, Marcele et al. Sistema Aberto de aspiração X Sistema Fechado de aspiração: Uma vivência das acadêmicas de enfermagem de um hospital municipal do Rio de Janeiro. 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem.

PAGOTTO, Izabela; OLIVEIRA, Luiz; et al. Comparação entre os sistemas aberto e fechado de aspiração: Revisão sistemática. Rev. Bras. Ter. Intensiva; 20(4): 331 – 338, out – dez. 2008. Acessado 20 jan. 2011 as 15h:10min. Site: HTTP://bases.bireme.br/cgi-bin/

LOPES, Fernanda; LOPEZ, Marcelo. Impacto do Sistema de aspiração traqueal Aberto e Fechado na incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica: Revisão de Literatura. Rev. Bras. Ter. Intensiva.; 21(1): 80- 88, AbrJan. 2009.

CARVALHO, Werther; et al. Análise Comparativa dos Sistemas de Aspiração Traqueal Aberto e Fechado. Rev. Assoc. Med. Bras. Vol53 no.2 SP Mar./Abr.2007. Acessado 20 jan. 2011 as 14h:00min. Site: HTTP://www.scielo.br/scielo.?script=sci_a




Resenha produzida pela especializanda: Bárbara Lira Bahia - Fcecon

sábado, 22 de janeiro de 2011

A influência da fisioterapia respiratória sobre a pressão intracraniana


A influência da fisioterapia respiratória sobre a pressão intracraniana

Na unidade de terapia intensiva uma das principais preocupações com um paciente neurológico é a elevação da pressão intracraniana (PIC). Eles precisam de monitoração constante da pressão intracraniana e de cuidados adequados para tal especificidade, pois o mesmo em virtudes de disfunção primária pode vim a apresentar alterações secundárias, como por exemplo, a alteração hemodinâmica, que prolongue seu período de internação na UTI (TOLEDO et al, 2008).

A hipertensão intracraniana é uma entidade clínica que pode acometer os pacientes com determinadas doenças de base, como o traumatismo cranioencefalico grave. A regulação da PIC em seus valores normais é de suma importância, já que a mesma está intimamente ligada com o fluxo sanguíneo cerebral. O fluxo sanguíneo cerebral responde a variação de pressão de perfusão cerebral que é determinada através da diferença entre a pressão arterial média e a PIC. Dessa forma, quando o fluxo sanguíneo não está adequado é indicativo de que o encéfalo não esta bem perfundido, ou seja, suscetível à isquemia (SCHWAN et al, 2009).

Perante este fato de grande importância, alguns autores realizaram estudos na tentativa de demonstrar como seria o comportamento da PIC durante fisioterapia respiratória e aspiração endotraqueal.

Durante o procedimento de aspiração endotraqueal ocorreu aumento significativo da PIC, devido o reflexo de tosse. Após um período de repouso, A PIC retorna a valores de normalidade (THIESEN et al, 2005). A aspiração traqueal sempre que necessária, deve ser realizada, se possível, com circuito fechado; quando não for possível e for realizada em circuito aberto deve ser cautelosa e rápida, pois há a elevação da PIC (SCHWAN et al, 2009).

De acordo com estudos relacionados, manobras de higiene brônquica podem causar aumento transitório da PIC, porém não chega a causar efeitos deletérios a pressão de perfusão cerebral quando há equilíbrio entre a PIC e a pressão arterial media. A monitorização é a indispensável durante qualquer procedimento com pacientes susceptíveis a alterações da PIC, promovendo maior segurança (THIESEN et al, 2005).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

THIESEN, R. A., DRAGOSAVAC, D., ROQUEJANI, A., FALCÃO, A. L. E., ARAUJO, S., DANTAS FILHO, V. P., OLIVEIRA, R. A. R. A., TERZI, R. G. G. Influência da fisioterapia respiratória na pressão intracraniana em pacientes com traumatismo craniencefálico grave. In Arquivo neuropsiquiatra, v.63, n. 1, p.110-113, março 2005.

TOLEDO, C., GARRIDO, C., TRONCOSO, E., LOBO, S. M. Efeitos da fisioterapia respiratória na pressão intracraniana e pressão de perfusão cerebral no traumatismo cranioencefálico grave. In Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.20, n. 4, p. 339-343, 2008.

SCHWAN, G., SARAIVA, C. A. S. Pressão intracraniana, pressão arterial média e fluxo sanguíneo cerebral de um paciente neurológico durante atendimento fisioterapêutico na UTI. In Fisioterapia Brasil, v.10, n.1, Janeiro/Fevereiro 2009.

Especializanda Débora Rodrigues

www.sobratimanaus.com

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MANOBRAS DE HIGIENE BRÔNQUICA UTILIZADA PELA FISIOTERAPIA NA UTI DO HOPITAL PLATAO ARAUJO-AM

    O aparelho respiratório esta freqüentemente exposto à diversos fatores lesivos que podem ocasionar importantes alterações, desde o mecanismo de controle da respiração, sua mecânica, funções das trocas gasosas e de suas funções metabólicas, levando o paciente a um quadro de sofrimento e de dor. Para que haja uma depuração normal das vias aéreas se faz necessário uma escala mucociliar funcional e uma tosse eficaz.
     A fisioterapia não atua diretamente sobre o processo patológico, e sim no nível das limitações e incapacidades aumentando a independência e conseqüentemente a capacidade respiratória (CHAVES, 2003).
   A fisioterapia respiratória contribui para prevenir e tratar vários aspectos das desordens respiratórias, tais como:
v  obstrução do fluxo aéreo
v   retenção de secreção,
v   alterações da função ventilatória,
v   dispneia,
v   melhora na performance de exercícios
v   físicos e da qualidade de vida.
MANOBRAS CINESIOTERAPÊUTICAS MANUAIS OU MANOBRAS DE HIGIENE BRÔNQUICA
São termos utilizados para denotar um conjunto de técnicas fisioterapêuticas não invasivas, que têm como principais objetivos o desprendimento e a mobilização de secreções
As técnicas mais utilizadas são:
vPercussões pulmonares
vPressão expiratoria
vVibração
vShakink
vDrenagem postural

As manobras de higiene brônquica deve ser utilizada nos seguintes casos:
v  Tosse ineficaz;
v  Produção excessiva de muco;
v  Diminuição do murmúrio vesicular ou o surgimento de roncos ou creptações;
v Taquipnéia, padrão respiratório exaustivo;
    PERCUSSÃO OU TAPOTAGEM
   A percussão ou tapotagem pode ser definida como qualquer manobra realizada com as mãos, deforma ritmada ou compassada, sobre um instrumento ou corpo qualquer. Foi primeiramente descrita por Linton, em 1934, e desde então vem sendo utilizada com grande frequência pelos fisioterapeutas. As percussões pulmonares proporcionam ondas de energia mecânica que são aplicadas na parede torácica e transmitidas aos pulmões. A forma com que estas ondas se propagam assemelha-se analogamente aos círculos que se formam na água para fora do ponto onde uma pedra fora atirada. O objetivo da percussão torácica é mobilizar a secreção pulmonar viscosa, facilitando sua condução para uma região superior da árvore brônquica, promovendo a eliminação. A secreção é despregada devido à ação das ondas mecânicas produzidas pela mão percussora.

   PRESSÃO EXPIRATÓRIA (PE), TAMBÉM CHAMADA DETERAPIA EXPIRATÓRIA MANUAL PASSIVA OU COMPRESSÃO EXPIRATÓRIA;
A pressão expiratória (PE), também chamada de Terapia Expiratória Manual Passiva ou Compressão Expiratória, consiste em deprimir passivamente o gradil costal do paciente durante uma expiração forçada, sobretudo na fase final da expiração. Pode ser realizada com o paciente em decúbito dorsal, lateral ou sentado. Para sua realização, as mãos do terapeuta devem ser colocadas espalmadas com dedos abduzidos sobre o tórax, com os punhos e cotovelos fixos para a realização dos movimentos acompanhando a dinâmica da respiração e a movimentação rítmica das costelas. A pressão dada é contínua e proveniente dos ombros e braços, podendo, ao final, haver uma leve vibração para se obter maior relaxamento do paciente. Pode ser realizada em qualquer região da parede torácica, desde que as mãos se encontrem bem posicionadas. O objetivo principal da pressão expiratória é desinsuflar os pulmões. Fisiologicamente ocorre uma diminuição do espaço morto e, conseqüentemente, do volume residual (VR); aumento do volume
corrente (VC) e maior ventilação pulmonar, que, por sua vez, oxigenará melhor o sangue. Objetiva-se também com esta manobra um ganho de mobilidade da caixa torácica, bem como um auxílio na mobilização de secreções. Na sua parte final, assiste e estimula a tosse, por uma provável tendência de colapso das vias aéreas.

VIBRAÇÃO
A vibração é uma técnica de higiene brônquica que tem como objetivo mobilizar secreções já livres na árvore brônquica em direção aos brônquios de maior calibre, visando à expulsão de secreções.É uma aplicação manual com movimentos oscilatórios combinados a uma compressão aplicados no tórax do paciente, comumente usada por fisioterapeutas com o objetivo de remover secreções.A compressão e oscilação aplicadas durante a vibração produzem alguns mecanismos fisiológicos, tais como: aumento do pico expiratório; aumento expiratório do fluxo aéreo, carregando o fluxo de muco para a orofaringe; aumento do transporte de muco pelo mecanismo de diminuição da viscosidade da secreção, utilizando como ideal uma freqüência entre 3-17 Hz; e a otimização do mecanismo da tosse via estimulação mecânica das vias aéreas. A vibração é aplicada manualmente no tórax durante a expiração após uma inspiração máxima.

SHAKING
É uma manobra utilizada com a finalidade de acelerar a remoção de secreções através do sistema de transporte mucociliar. É realizada apenas durante a fase expiratória da respiração e após uma inspiração profunda, reforçando, assim, o fluxo de ar expiratório proveniente dos pulmões.Para a realização do shaking, as mãos devem estar relaxadas e colocadas sobre a região apropriada do tórax (com acúmulo de secreções ou diminuição da ventilação), começando logo após o início da expiração; o terapeuta então balança a caixa torácica em direção ao brônquio principal. O objetivo desta técnica é o deslocamento de secreções das vias aéreas de pequeno calibre para as de grande calibre. O shaking pode ser realizado uni ou bilateralmente. Caso não haja incisão, o paciente permanece parcial ou totalmente sentado, e as mãos do terapeuta devem ser colocadas na região inferior da parede torácica, com o movimento dirigindo-se superiormente em direção ao brônquio principal. Quando utilizado sobre o esterno, normalmente estimula a tosse devido à mudança das secreções superiormente no trato respiratório. Nos pacientes após toracotomia, as mãos devem ser colocadas sobre a região anterior e posterior do tórax, abaixo da incisão e não sobre o dreno intercostal. Se o paciente tossir, o fisioterapeuta pode aplicar uma firme pressão para dar uma maior estabilidade torácica, propiciando, assim, uma tosse mais confortável e eficaz.

DRENAGEM POSTURAL
É o posicionamento do paciente em diversos decúbitos para facilitar a drenagem das secreções pulmonares em direção à traquéia pela força da gravidade. A secreção, uma vez na traquéia, poderá ser expectorada ou aspirada.  Existem controvérsias sobre o tempo de aplicação do método, mas muitos autores defendem a permanência por 15 a 30 minutos em cada posição com o limite de 60 minutos no total.

Outras Manobras de higiene Brônquica
BAG-SQUEEZING
Utilizado para pacientes que cursam com quadro de hipersecreção pulmonar e tampões
mucosos, e que estejam necessitando da utilização de ventilação artificial, por meio de um
aparelho de ventilação mecânica invasiva. Consiste na utilização de uma bolsa de hiperinsulflação pulmonar e técnicas de vibração e compressão torácica.
2 Fts trabalham juntos:*administrar um volume gasoso com a bolsa(maior que o volume
corrente utilizado pelo suposto paciente se possível CPT),*sincronizar a manobra de
vibrocompressão após a hiperinsuflação.

Contra Indicações:
v  Casos de instabilidade hemodinâmica
v  Hipertensão intra craniana
v  Hemorragia peri-intraventricular grave
v  Osteopenia da prematuridade
v  Distúrbios hemorrágicos
v  Graus acentuados de refluxo gastresofágico
v  Hiperinsuflação manual= superdistender áreas já infladas= mas deixam outras áreas
v  colapsadas=risco de pneumotórax;
v  CUIDADO: asma e bronquite = condições que causem hiperinsuflação.

MANOBRA ZEEP
Pacientes que estejam necessitando de ventilação artificial por meio de ventilação mecânica invasiva;
Em situações como osteoporose ou osteopenia importante, plaquetopenia;
Elevar a pressão positiva expiratória final até um mínimo de 10cmH2O;
Levar esta pressão até zero (Zeep) juntamente com a vibrocompressão realizada sobre a
parede torácica Retornar a pressão expiratória final aos níveis anteriores aos dos antes da realização da manobra.
 Contra indicações
v  Pacientes hemodinamicamente instáveis;
v  Hipertensão intracraniana.

Esp da sobrati –Am:.Roselândia Ribeiro Solidade
Preceptor do Hospital Platão Araujo: Marcos Vinicius
Coordenador Geral Sobrati-Am: Daniel Xavier

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

INTRODUÇÃO DE UM PROTOCOLO DE ROTINA PARA AVALIAÇÃO DOS DADOS GERAIS DE PACIENTES SUBMETIDOS À VENTILAÇÃO MECÂNICA INVASIVA, REALIZADA POR ACADÊMICOS DE FISIOTERAPIA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DA IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE LINS.( Prof. Antonio Henrique Semençato Júnior, UNISALESIANO - Lins/SP)

RESUMO: O presente relato de experiência se reveste da importância na atuação prática específica executada por acadêmicos de Fisioterapia do UNISALESIANO, Unidade I, durante estágio supervisionado na Santa Casa de Lins, especificamente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cujos pacientes se encontram em estado crítico apresentando processos patológicos diversos, necessitando de atenção terapêutica complexa, requerendo assim, conhecimentos específicos da dinâmica cardiorrespiratória, bem como da interação junto à prótese ventilatória. Desta forma, a Propedêutica e Semiologia Fisioterapêutica Respiratória (PSFR) fora otimizada para tal setor, elaborando para tanto um protocolo de rotina específico, obtendo dados gerais e específicos inerentes ao estado pneumofuncional dos pacientes submetidos à Ventilação Mecânica Invasiva (VMI), na tentativa de melhor compreensão dos aspectos respiratórios durante a permanência destes em tais próteses, além de fornecer habilidades e informações de suma importância para evolução terapêutica executada pelos acadêmicos, bem como dados relevantes à equipe multidisciplinar que atua em tal setor.

Palavras-chave: Fisioterapia intensiva. UTI. PSFR. Protocolo de Rotina Fisioterapêutica Intensiva. VMI.

INTRODUÇÃO:

Historicamente se observa a rápida ascensão da Fisioterapia Respiratória frente às atuações executadas em pacientes portadores de pneumopatias como descrito por Mackenzie, et al. (1988), referindo-se aos efeitos benéficos da drenagem postural executada por Willian Ewart em 1901; além de inúmeros pesquisadores que contribuíram de forma notória aos benefícios sintomatológicos e fisiológicos através de técnicas específicas. Contudo, o mesmo autor descreve que somente em 1953, Palmer e Sellick publicaram trabalho precursor sobre efeitos da Fisioterapia Respiratória. Tais aspectos desta especialidade se traduzem em uma ampla necessidade da atuação Fisioterapêutica Respiratória específica em ambientes hospitalares e ambulatoriais; frente às atividades executadas por tais profissionais desta área.

Entretanto, nos últimos anos atributos às particularidades e especificidades enfrentadas por Fisioterapeutas Respiratórios em UTI, vêm abrindo campo de atuação a uma nova área denominada Fisioterapia Intensiva referida pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (2007), a qual ocupa cada vez mais espaço em centros específicos se voltando em especial ao paciente em estado crítico que esteja sob cuidados intensivos em virtude de seu processo patológico, o qual Emmerich (2001), cita que tal profissional deva possuir habilidades específicas para manusear próteses ventilatórias, interpretar dados fornecidos por aparelhos sofisticados, requerendo alta capacidade de realizar certas habilidades clínicas, observação sistemática e, o principal, a integração de tais dados na geração dedecisões rápidas e corretas, que indubitavelmente irão influenciar no curso e no prognóstico da patologia clínica apresentada pelo paciente crítico.

Sob este contexto e no que diz respeito à evolução dos últimos anos da Fisioterapia Cardiorrespiratória e Intensiva, Carneiro; Carneiro (1996) e Carneiro; Carneiro; Carneiro (2000) referem que instituições de ensino superior devam estabelecer políticas a fim de fornecer subsídios no intuito de preparar futuros profissionais com visão dinâmica e atualizada para que possam através dos conhecimentos básicos poderem conhecer melhor o campo de atuação específico ao quais os mesmos irão prosseguir profissionalmente. Para tanto Enricone, et al. (1996) enfatiza que haja melhor planejamento no processo de ensino-aprendizado, fornecendo aspectos supracitados.

Desta forma o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (2007), Medicina Intensiva (2007) e a Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (2007) estabelecem áreas de atuação específicas do Fisioterapeuta Intensivista, visando conhecimentos básicos, gerais e específicos em procedimentos intensivos como atuação durante parada cardiorrespiratória, se porventura os procedimentos fisioterapêuticos favorecerem tal processo; habilidade no transporte intra-hospitalar de pacientes que necessitem realizar exames específicos, os quais sejam dependentes da Oxigenoterapia e/ou VMI, além do atendimento emergencial em pronto socorro; sendo necessárias habilidades e titulações específicas para tal atuação com diretrizes curriculares na formação que inclui: Fisioterapia Pneumofuncional Intensiva, Neurofuncional Intensiva, Cardiovascular Intensiva, Músculo-esquelética, Nefrológica Intensiva além de Assistência Ventilatória e Interpretação de Exames Complementares em UTI; tal formação ainda deve incluir Manobras de Higiene Brônquica Intensiva, Manobras Motoras Intensivas, conhecimento da interação medicamentosa utilizada em UTI e suas implicações com técnicas Fisioterapêuticas.
Em virtude de tais aspectos e peculiaridades inerentes a atuação específica de profissionais em unidades hospitalares e especificamente em UTI, surgiu à intenção da elaboração, por parte da supervisão de estágio em Fisioterapia da Santa Casa de Lins, um Protocolo de Rotina para Avaliação de Pacientes Submetidos à Ventilação Mecânica Invasiva pelos acadêmicos de Fisioterapia do UNISALESIANO, Unidade I, com o objetivo de proporcionar maior contato junto ao paciente crítico compreendendo de maneira prática sua evolução sob o aspecto clínico e pneumofuncional; determinar maior permanência do acadêmico junto a Unidade de Terapia Intensiva, tendo em vista às particularidades e especificidades de tal setor; estabelecer responsabilidades inerentes à aplicação de tal protocolo sob o ponto de vista Humanitário e Legal; promover maior interesse no aprendizado do manuseio de equipamentos sofisticados encontrados na Unidade de Terapia Intensiva; incentivar o diálogo clínico-funcional junto à equipe multidisciplinar; motivar a execução de tarefas que requeiram maior responsabilidade no desempenho técnico-acadêmico; aprimorar conhecimentos teóricos a beira do leito; estabelecer normas e condutas profissionais durante a execução das mensurações realizadas; realizar discussões de condutas dos casos; verificar e analisar exames complementares que possam fornecer informações adicionais inerentes ao estado clínico-funcional do paciente; estimular o interesse profissional junto à área de Fisioterapia Intensiva; entre outros aspectos. Deve-se ressaltar que tal protocolo não substitui a avaliação convencional do setor sendo, portanto o mesmo parte integrante da rotina realizada, ampliando tais dados na tentativa de maximizar a semiologia e propedêutica Fisioterapêutica em pacientes sob suporte de VMI em UTI.

DESENVOLVIMENTO:

O presente protocolo se baseou em processos de avaliações diversas, onde inicialmente deve constar o dado geral inerente à identificação do cliente como nome, idade, gênero, raça e patologia principal, médico responsável pelo caso, assim como itens específicos para este, incluindo a data de intubação e/ou traqueostomia, início das coletas dos dados e o leito ao qual o mesmo se encontra no setor, segundo consta nos relatos de Nakagawa; Barnabé (2006). Destacando-se que inicialmente tal protocolo fora aplicado somente em pacientes que possuíam indicação para Fisioterapia e posteriormente preconizada a utilização para todos os casos que estivessem sob assistência de VMI. Esta documentação é realizada diariamente, no período matutino e vespertino, sendo registrados o horário e data do mesmo, bem como os sinais vitais (PA, FC, f, Temperatura axilar), além da SpO2 e estado de consciência apresentados pelo examinado no momento da obtenção dos dados de acordo com Pryor; Webber (2002).

O protocolo desenvolvido se baseou nas características dos ventiladores mecânicos Bird 6400® e Inter 5® utilizados na UTI da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Lins, sendo proposto o registro de dados que não constam em tais equipamentos pelo fato dos mesmos demonstrarem monitorização incompleta, no que diz respeito ao estudo da função pulmonar e em específico da mecânica respiratória.

Os parâmetros avaliados incluem a mensuração da pressão do cuff, cuja variação dentro dos limites normais é de suma importância para melhor qualidade e manutenção morfofisiológica prestada à via aérea durante a permanência do tubo na traquéia como reportado por Takassi Júnior (2006), devendo constar ainda o tipo de acesso do tubo na via aérea do paciente. Posteriormente detecta-se a porcentagem da FiO2, além das determinantes do ciclo respiratório artificial (Volume, Fluxo, Pressão e Tempo), a fim de se caracterizar a fase inspiratória e expiratória como descrito por Emmerich (2004).

Para tanto se obtém dados fornecidos pelo ventilador mecânico, como a modalidade de ciclagem ventilatória da prótese (Pressão, Volume ou Tempo no VM Inter5® e Volume no Bird 6400®), os tipos de ciclos realizados (A/C, SIMV, SIMV+PS, CPAP). Ainda é obtido o Volume Corrente fornecido pela prótese ventilatória; a taxa de fluxo inspiratório e expiratório; a pressão inspiratória (PS); o tempo inspiratório, (parâmetros estes totalmente dependentes da modalidade de ciclagem do VM utilizado), ainda se realiza o registro da f fornecida pelo VM, bem como a f total (soma da f fornecida pelo VM e ciclos disparados pelo paciente); a relação entre a inspiração e a expiração; o valor da sensibilidade do aparelho para que ocorra o disparo do mesmo em resposta ao esforço inspiratório do paciente; a verificação da PEEP fornecida e/ou apresentada (auto-PEEP, sob condições de pausa expiratória). A PIP ou pressão de pico é obtida visualizando-se o display do ventilador Inter5® ou manômetro contido no ventilador Bird 6400® ao término da inspiração, e a pressão de pausa ou plateau realizando-se pausa no final da inspiração através do botão de pausa inspiratória contido no Inter5® ou oclusão da válvula expiratória do Bird 6400®.

Desta forma tais registros nos fornecem parâmetros para realização de cálculos matemáticos, onde podemos obter o volume minuto do ventilador através do produto da f total e volume corrente ofertado pelo VM; bem como o volume corrente e volume minuto realizado pelo paciente. Para tanto utilizamos o Ventilômetro de Wright que nos fornece o volume minuto real do paciente, cuja razão entre a f total nos demonstra o volume corrente médio realizado pelo paciente a cada ciclo respiratório como demonstrado por Mazoca; Cunha (2005), cujos valores não são equivalentes demonstrando de forma mais específica à medida real das complacências dinâmica e estática que nos referem o verdadeiro estado da mecânica respiratória durante a VM. Parâmetros estes de suma importância para evolução clínico-funcional destes pacientes. 

Para aquisição da complacência dinâmica, se utiliza o volume corrente encontrado através do Ventilômetro de Wright, como supracitado, realizando a razão de tal volume em relação à subtração da PIP com a PEEP, como descrito por Tavares (2006). Já a complacência estática também se utiliza o mesmo volume, porém matematicamente sua razão se dá em relação à subtração da Pressão de plateau com a PEEP, como discorrido por Coltri (2006). Sendo o fluxo definido em regra geral como a variação de volume na unidade de tempo; matematicamente ainda obtemos o cálculo da resistência pela divisão da pressão aplicada pelo fluxo inspiratório em L/s, ou seja, alguns VM como os utilizados em nossa unidade devemos dividir o valor do fluxo inspiratório por 60, já que os mesmos fornecem valores em unidades de L/min. Assim para efetuarmos o cálculo da resistência, basta dividir a diferença entre a Pressão de Pico (PIP) e a Pressão de Pausa (Plateau) pelo Fluxo Inspiratório em L/s, como descrito por Emmerich (2001).

De acordo com a idéia inicial do protocolo supradescrito conseguimos obter melhor explicitação da mecânica respiratória, bem como entender de forma mais clara o real valor de cada parâmetro inserido no contexto de ventilação mecânica em pacientes críticos.

CONCLUSÃO:

Diante do explicitado e de acordo com o protocolo elaborado pelo setor de Fisioterapia Respiratória do UNISALESIANO na Santa Casa de Lins, se pode afirmar que o mesmo contribui de forma significativa aos objetivos propostos pelo mesmo; sendo de suma importância o real conhecimento da dinâmica pneumofuncional do paciente crítico submetido a VMI em UTI, pelo acadêmico que tem demonstrado na prática, maior compreensão do estado geral e respiratório além de interesse dos mesmos pela área, correspondendo assim, aos propósitos estabelecidos pelo estágio, cujo intercâmbio teórico-prático tem proporcionado melhores resultados na rotina do setor. Vale ressaltar que fora solicitado pelo diretor técnico da Santa Casa a integração de tal protocolo junto ao prontuário dos pacientes em virtude da importância dos dados contidos no mesmo, sendo que este vem sofrendo reestruturação acrescentando-se quesitos para maior aquisição de dados específicos e complementares na tentativa de maximizar cada vez mais a atuação dos futuros profissionais em Fisioterapia Intensiva.

REFERÊNCIAS:
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COLTRI, V. M. Comparação dos valores referentes à complacência estática de acordo com as variações do volume corrente mensurado e ofertado durante a ventilação mecânica. 2006. Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro
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MACKENZIE, C. F. et al. Fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva. Tradução Nadia Gagaus; Supervisão Maria Ignês Zanetti Feltrim. SãoPaulo: Panamericana, 1988.
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