sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MANOBRAS DE HIGIENE BRÔNQUICA UTILIZADA PELA FISIOTERAPIA NA UTI DO HOPITAL PLATAO ARAUJO-AM

    O aparelho respiratório esta freqüentemente exposto à diversos fatores lesivos que podem ocasionar importantes alterações, desde o mecanismo de controle da respiração, sua mecânica, funções das trocas gasosas e de suas funções metabólicas, levando o paciente a um quadro de sofrimento e de dor. Para que haja uma depuração normal das vias aéreas se faz necessário uma escala mucociliar funcional e uma tosse eficaz.
     A fisioterapia não atua diretamente sobre o processo patológico, e sim no nível das limitações e incapacidades aumentando a independência e conseqüentemente a capacidade respiratória (CHAVES, 2003).
   A fisioterapia respiratória contribui para prevenir e tratar vários aspectos das desordens respiratórias, tais como:
v  obstrução do fluxo aéreo
v   retenção de secreção,
v   alterações da função ventilatória,
v   dispneia,
v   melhora na performance de exercícios
v   físicos e da qualidade de vida.
MANOBRAS CINESIOTERAPÊUTICAS MANUAIS OU MANOBRAS DE HIGIENE BRÔNQUICA
São termos utilizados para denotar um conjunto de técnicas fisioterapêuticas não invasivas, que têm como principais objetivos o desprendimento e a mobilização de secreções
As técnicas mais utilizadas são:
vPercussões pulmonares
vPressão expiratoria
vVibração
vShakink
vDrenagem postural

As manobras de higiene brônquica deve ser utilizada nos seguintes casos:
v  Tosse ineficaz;
v  Produção excessiva de muco;
v  Diminuição do murmúrio vesicular ou o surgimento de roncos ou creptações;
v Taquipnéia, padrão respiratório exaustivo;
    PERCUSSÃO OU TAPOTAGEM
   A percussão ou tapotagem pode ser definida como qualquer manobra realizada com as mãos, deforma ritmada ou compassada, sobre um instrumento ou corpo qualquer. Foi primeiramente descrita por Linton, em 1934, e desde então vem sendo utilizada com grande frequência pelos fisioterapeutas. As percussões pulmonares proporcionam ondas de energia mecânica que são aplicadas na parede torácica e transmitidas aos pulmões. A forma com que estas ondas se propagam assemelha-se analogamente aos círculos que se formam na água para fora do ponto onde uma pedra fora atirada. O objetivo da percussão torácica é mobilizar a secreção pulmonar viscosa, facilitando sua condução para uma região superior da árvore brônquica, promovendo a eliminação. A secreção é despregada devido à ação das ondas mecânicas produzidas pela mão percussora.

   PRESSÃO EXPIRATÓRIA (PE), TAMBÉM CHAMADA DETERAPIA EXPIRATÓRIA MANUAL PASSIVA OU COMPRESSÃO EXPIRATÓRIA;
A pressão expiratória (PE), também chamada de Terapia Expiratória Manual Passiva ou Compressão Expiratória, consiste em deprimir passivamente o gradil costal do paciente durante uma expiração forçada, sobretudo na fase final da expiração. Pode ser realizada com o paciente em decúbito dorsal, lateral ou sentado. Para sua realização, as mãos do terapeuta devem ser colocadas espalmadas com dedos abduzidos sobre o tórax, com os punhos e cotovelos fixos para a realização dos movimentos acompanhando a dinâmica da respiração e a movimentação rítmica das costelas. A pressão dada é contínua e proveniente dos ombros e braços, podendo, ao final, haver uma leve vibração para se obter maior relaxamento do paciente. Pode ser realizada em qualquer região da parede torácica, desde que as mãos se encontrem bem posicionadas. O objetivo principal da pressão expiratória é desinsuflar os pulmões. Fisiologicamente ocorre uma diminuição do espaço morto e, conseqüentemente, do volume residual (VR); aumento do volume
corrente (VC) e maior ventilação pulmonar, que, por sua vez, oxigenará melhor o sangue. Objetiva-se também com esta manobra um ganho de mobilidade da caixa torácica, bem como um auxílio na mobilização de secreções. Na sua parte final, assiste e estimula a tosse, por uma provável tendência de colapso das vias aéreas.

VIBRAÇÃO
A vibração é uma técnica de higiene brônquica que tem como objetivo mobilizar secreções já livres na árvore brônquica em direção aos brônquios de maior calibre, visando à expulsão de secreções.É uma aplicação manual com movimentos oscilatórios combinados a uma compressão aplicados no tórax do paciente, comumente usada por fisioterapeutas com o objetivo de remover secreções.A compressão e oscilação aplicadas durante a vibração produzem alguns mecanismos fisiológicos, tais como: aumento do pico expiratório; aumento expiratório do fluxo aéreo, carregando o fluxo de muco para a orofaringe; aumento do transporte de muco pelo mecanismo de diminuição da viscosidade da secreção, utilizando como ideal uma freqüência entre 3-17 Hz; e a otimização do mecanismo da tosse via estimulação mecânica das vias aéreas. A vibração é aplicada manualmente no tórax durante a expiração após uma inspiração máxima.

SHAKING
É uma manobra utilizada com a finalidade de acelerar a remoção de secreções através do sistema de transporte mucociliar. É realizada apenas durante a fase expiratória da respiração e após uma inspiração profunda, reforçando, assim, o fluxo de ar expiratório proveniente dos pulmões.Para a realização do shaking, as mãos devem estar relaxadas e colocadas sobre a região apropriada do tórax (com acúmulo de secreções ou diminuição da ventilação), começando logo após o início da expiração; o terapeuta então balança a caixa torácica em direção ao brônquio principal. O objetivo desta técnica é o deslocamento de secreções das vias aéreas de pequeno calibre para as de grande calibre. O shaking pode ser realizado uni ou bilateralmente. Caso não haja incisão, o paciente permanece parcial ou totalmente sentado, e as mãos do terapeuta devem ser colocadas na região inferior da parede torácica, com o movimento dirigindo-se superiormente em direção ao brônquio principal. Quando utilizado sobre o esterno, normalmente estimula a tosse devido à mudança das secreções superiormente no trato respiratório. Nos pacientes após toracotomia, as mãos devem ser colocadas sobre a região anterior e posterior do tórax, abaixo da incisão e não sobre o dreno intercostal. Se o paciente tossir, o fisioterapeuta pode aplicar uma firme pressão para dar uma maior estabilidade torácica, propiciando, assim, uma tosse mais confortável e eficaz.

DRENAGEM POSTURAL
É o posicionamento do paciente em diversos decúbitos para facilitar a drenagem das secreções pulmonares em direção à traquéia pela força da gravidade. A secreção, uma vez na traquéia, poderá ser expectorada ou aspirada.  Existem controvérsias sobre o tempo de aplicação do método, mas muitos autores defendem a permanência por 15 a 30 minutos em cada posição com o limite de 60 minutos no total.

Outras Manobras de higiene Brônquica
BAG-SQUEEZING
Utilizado para pacientes que cursam com quadro de hipersecreção pulmonar e tampões
mucosos, e que estejam necessitando da utilização de ventilação artificial, por meio de um
aparelho de ventilação mecânica invasiva. Consiste na utilização de uma bolsa de hiperinsulflação pulmonar e técnicas de vibração e compressão torácica.
2 Fts trabalham juntos:*administrar um volume gasoso com a bolsa(maior que o volume
corrente utilizado pelo suposto paciente se possível CPT),*sincronizar a manobra de
vibrocompressão após a hiperinsuflação.

Contra Indicações:
v  Casos de instabilidade hemodinâmica
v  Hipertensão intra craniana
v  Hemorragia peri-intraventricular grave
v  Osteopenia da prematuridade
v  Distúrbios hemorrágicos
v  Graus acentuados de refluxo gastresofágico
v  Hiperinsuflação manual= superdistender áreas já infladas= mas deixam outras áreas
v  colapsadas=risco de pneumotórax;
v  CUIDADO: asma e bronquite = condições que causem hiperinsuflação.

MANOBRA ZEEP
Pacientes que estejam necessitando de ventilação artificial por meio de ventilação mecânica invasiva;
Em situações como osteoporose ou osteopenia importante, plaquetopenia;
Elevar a pressão positiva expiratória final até um mínimo de 10cmH2O;
Levar esta pressão até zero (Zeep) juntamente com a vibrocompressão realizada sobre a
parede torácica Retornar a pressão expiratória final aos níveis anteriores aos dos antes da realização da manobra.
 Contra indicações
v  Pacientes hemodinamicamente instáveis;
v  Hipertensão intracraniana.

Esp da sobrati –Am:.Roselândia Ribeiro Solidade
Preceptor do Hospital Platão Araujo: Marcos Vinicius
Coordenador Geral Sobrati-Am: Daniel Xavier

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

INTRODUÇÃO DE UM PROTOCOLO DE ROTINA PARA AVALIAÇÃO DOS DADOS GERAIS DE PACIENTES SUBMETIDOS À VENTILAÇÃO MECÂNICA INVASIVA, REALIZADA POR ACADÊMICOS DE FISIOTERAPIA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DA IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE LINS.( Prof. Antonio Henrique Semençato Júnior, UNISALESIANO - Lins/SP)

RESUMO: O presente relato de experiência se reveste da importância na atuação prática específica executada por acadêmicos de Fisioterapia do UNISALESIANO, Unidade I, durante estágio supervisionado na Santa Casa de Lins, especificamente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cujos pacientes se encontram em estado crítico apresentando processos patológicos diversos, necessitando de atenção terapêutica complexa, requerendo assim, conhecimentos específicos da dinâmica cardiorrespiratória, bem como da interação junto à prótese ventilatória. Desta forma, a Propedêutica e Semiologia Fisioterapêutica Respiratória (PSFR) fora otimizada para tal setor, elaborando para tanto um protocolo de rotina específico, obtendo dados gerais e específicos inerentes ao estado pneumofuncional dos pacientes submetidos à Ventilação Mecânica Invasiva (VMI), na tentativa de melhor compreensão dos aspectos respiratórios durante a permanência destes em tais próteses, além de fornecer habilidades e informações de suma importância para evolução terapêutica executada pelos acadêmicos, bem como dados relevantes à equipe multidisciplinar que atua em tal setor.

Palavras-chave: Fisioterapia intensiva. UTI. PSFR. Protocolo de Rotina Fisioterapêutica Intensiva. VMI.

INTRODUÇÃO:

Historicamente se observa a rápida ascensão da Fisioterapia Respiratória frente às atuações executadas em pacientes portadores de pneumopatias como descrito por Mackenzie, et al. (1988), referindo-se aos efeitos benéficos da drenagem postural executada por Willian Ewart em 1901; além de inúmeros pesquisadores que contribuíram de forma notória aos benefícios sintomatológicos e fisiológicos através de técnicas específicas. Contudo, o mesmo autor descreve que somente em 1953, Palmer e Sellick publicaram trabalho precursor sobre efeitos da Fisioterapia Respiratória. Tais aspectos desta especialidade se traduzem em uma ampla necessidade da atuação Fisioterapêutica Respiratória específica em ambientes hospitalares e ambulatoriais; frente às atividades executadas por tais profissionais desta área.

Entretanto, nos últimos anos atributos às particularidades e especificidades enfrentadas por Fisioterapeutas Respiratórios em UTI, vêm abrindo campo de atuação a uma nova área denominada Fisioterapia Intensiva referida pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (2007), a qual ocupa cada vez mais espaço em centros específicos se voltando em especial ao paciente em estado crítico que esteja sob cuidados intensivos em virtude de seu processo patológico, o qual Emmerich (2001), cita que tal profissional deva possuir habilidades específicas para manusear próteses ventilatórias, interpretar dados fornecidos por aparelhos sofisticados, requerendo alta capacidade de realizar certas habilidades clínicas, observação sistemática e, o principal, a integração de tais dados na geração dedecisões rápidas e corretas, que indubitavelmente irão influenciar no curso e no prognóstico da patologia clínica apresentada pelo paciente crítico.

Sob este contexto e no que diz respeito à evolução dos últimos anos da Fisioterapia Cardiorrespiratória e Intensiva, Carneiro; Carneiro (1996) e Carneiro; Carneiro; Carneiro (2000) referem que instituições de ensino superior devam estabelecer políticas a fim de fornecer subsídios no intuito de preparar futuros profissionais com visão dinâmica e atualizada para que possam através dos conhecimentos básicos poderem conhecer melhor o campo de atuação específico ao quais os mesmos irão prosseguir profissionalmente. Para tanto Enricone, et al. (1996) enfatiza que haja melhor planejamento no processo de ensino-aprendizado, fornecendo aspectos supracitados.

Desta forma o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (2007), Medicina Intensiva (2007) e a Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (2007) estabelecem áreas de atuação específicas do Fisioterapeuta Intensivista, visando conhecimentos básicos, gerais e específicos em procedimentos intensivos como atuação durante parada cardiorrespiratória, se porventura os procedimentos fisioterapêuticos favorecerem tal processo; habilidade no transporte intra-hospitalar de pacientes que necessitem realizar exames específicos, os quais sejam dependentes da Oxigenoterapia e/ou VMI, além do atendimento emergencial em pronto socorro; sendo necessárias habilidades e titulações específicas para tal atuação com diretrizes curriculares na formação que inclui: Fisioterapia Pneumofuncional Intensiva, Neurofuncional Intensiva, Cardiovascular Intensiva, Músculo-esquelética, Nefrológica Intensiva além de Assistência Ventilatória e Interpretação de Exames Complementares em UTI; tal formação ainda deve incluir Manobras de Higiene Brônquica Intensiva, Manobras Motoras Intensivas, conhecimento da interação medicamentosa utilizada em UTI e suas implicações com técnicas Fisioterapêuticas.
Em virtude de tais aspectos e peculiaridades inerentes a atuação específica de profissionais em unidades hospitalares e especificamente em UTI, surgiu à intenção da elaboração, por parte da supervisão de estágio em Fisioterapia da Santa Casa de Lins, um Protocolo de Rotina para Avaliação de Pacientes Submetidos à Ventilação Mecânica Invasiva pelos acadêmicos de Fisioterapia do UNISALESIANO, Unidade I, com o objetivo de proporcionar maior contato junto ao paciente crítico compreendendo de maneira prática sua evolução sob o aspecto clínico e pneumofuncional; determinar maior permanência do acadêmico junto a Unidade de Terapia Intensiva, tendo em vista às particularidades e especificidades de tal setor; estabelecer responsabilidades inerentes à aplicação de tal protocolo sob o ponto de vista Humanitário e Legal; promover maior interesse no aprendizado do manuseio de equipamentos sofisticados encontrados na Unidade de Terapia Intensiva; incentivar o diálogo clínico-funcional junto à equipe multidisciplinar; motivar a execução de tarefas que requeiram maior responsabilidade no desempenho técnico-acadêmico; aprimorar conhecimentos teóricos a beira do leito; estabelecer normas e condutas profissionais durante a execução das mensurações realizadas; realizar discussões de condutas dos casos; verificar e analisar exames complementares que possam fornecer informações adicionais inerentes ao estado clínico-funcional do paciente; estimular o interesse profissional junto à área de Fisioterapia Intensiva; entre outros aspectos. Deve-se ressaltar que tal protocolo não substitui a avaliação convencional do setor sendo, portanto o mesmo parte integrante da rotina realizada, ampliando tais dados na tentativa de maximizar a semiologia e propedêutica Fisioterapêutica em pacientes sob suporte de VMI em UTI.

DESENVOLVIMENTO:

O presente protocolo se baseou em processos de avaliações diversas, onde inicialmente deve constar o dado geral inerente à identificação do cliente como nome, idade, gênero, raça e patologia principal, médico responsável pelo caso, assim como itens específicos para este, incluindo a data de intubação e/ou traqueostomia, início das coletas dos dados e o leito ao qual o mesmo se encontra no setor, segundo consta nos relatos de Nakagawa; Barnabé (2006). Destacando-se que inicialmente tal protocolo fora aplicado somente em pacientes que possuíam indicação para Fisioterapia e posteriormente preconizada a utilização para todos os casos que estivessem sob assistência de VMI. Esta documentação é realizada diariamente, no período matutino e vespertino, sendo registrados o horário e data do mesmo, bem como os sinais vitais (PA, FC, f, Temperatura axilar), além da SpO2 e estado de consciência apresentados pelo examinado no momento da obtenção dos dados de acordo com Pryor; Webber (2002).

O protocolo desenvolvido se baseou nas características dos ventiladores mecânicos Bird 6400® e Inter 5® utilizados na UTI da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Lins, sendo proposto o registro de dados que não constam em tais equipamentos pelo fato dos mesmos demonstrarem monitorização incompleta, no que diz respeito ao estudo da função pulmonar e em específico da mecânica respiratória.

Os parâmetros avaliados incluem a mensuração da pressão do cuff, cuja variação dentro dos limites normais é de suma importância para melhor qualidade e manutenção morfofisiológica prestada à via aérea durante a permanência do tubo na traquéia como reportado por Takassi Júnior (2006), devendo constar ainda o tipo de acesso do tubo na via aérea do paciente. Posteriormente detecta-se a porcentagem da FiO2, além das determinantes do ciclo respiratório artificial (Volume, Fluxo, Pressão e Tempo), a fim de se caracterizar a fase inspiratória e expiratória como descrito por Emmerich (2004).

Para tanto se obtém dados fornecidos pelo ventilador mecânico, como a modalidade de ciclagem ventilatória da prótese (Pressão, Volume ou Tempo no VM Inter5® e Volume no Bird 6400®), os tipos de ciclos realizados (A/C, SIMV, SIMV+PS, CPAP). Ainda é obtido o Volume Corrente fornecido pela prótese ventilatória; a taxa de fluxo inspiratório e expiratório; a pressão inspiratória (PS); o tempo inspiratório, (parâmetros estes totalmente dependentes da modalidade de ciclagem do VM utilizado), ainda se realiza o registro da f fornecida pelo VM, bem como a f total (soma da f fornecida pelo VM e ciclos disparados pelo paciente); a relação entre a inspiração e a expiração; o valor da sensibilidade do aparelho para que ocorra o disparo do mesmo em resposta ao esforço inspiratório do paciente; a verificação da PEEP fornecida e/ou apresentada (auto-PEEP, sob condições de pausa expiratória). A PIP ou pressão de pico é obtida visualizando-se o display do ventilador Inter5® ou manômetro contido no ventilador Bird 6400® ao término da inspiração, e a pressão de pausa ou plateau realizando-se pausa no final da inspiração através do botão de pausa inspiratória contido no Inter5® ou oclusão da válvula expiratória do Bird 6400®.

Desta forma tais registros nos fornecem parâmetros para realização de cálculos matemáticos, onde podemos obter o volume minuto do ventilador através do produto da f total e volume corrente ofertado pelo VM; bem como o volume corrente e volume minuto realizado pelo paciente. Para tanto utilizamos o Ventilômetro de Wright que nos fornece o volume minuto real do paciente, cuja razão entre a f total nos demonstra o volume corrente médio realizado pelo paciente a cada ciclo respiratório como demonstrado por Mazoca; Cunha (2005), cujos valores não são equivalentes demonstrando de forma mais específica à medida real das complacências dinâmica e estática que nos referem o verdadeiro estado da mecânica respiratória durante a VM. Parâmetros estes de suma importância para evolução clínico-funcional destes pacientes. 

Para aquisição da complacência dinâmica, se utiliza o volume corrente encontrado através do Ventilômetro de Wright, como supracitado, realizando a razão de tal volume em relação à subtração da PIP com a PEEP, como descrito por Tavares (2006). Já a complacência estática também se utiliza o mesmo volume, porém matematicamente sua razão se dá em relação à subtração da Pressão de plateau com a PEEP, como discorrido por Coltri (2006). Sendo o fluxo definido em regra geral como a variação de volume na unidade de tempo; matematicamente ainda obtemos o cálculo da resistência pela divisão da pressão aplicada pelo fluxo inspiratório em L/s, ou seja, alguns VM como os utilizados em nossa unidade devemos dividir o valor do fluxo inspiratório por 60, já que os mesmos fornecem valores em unidades de L/min. Assim para efetuarmos o cálculo da resistência, basta dividir a diferença entre a Pressão de Pico (PIP) e a Pressão de Pausa (Plateau) pelo Fluxo Inspiratório em L/s, como descrito por Emmerich (2001).

De acordo com a idéia inicial do protocolo supradescrito conseguimos obter melhor explicitação da mecânica respiratória, bem como entender de forma mais clara o real valor de cada parâmetro inserido no contexto de ventilação mecânica em pacientes críticos.

CONCLUSÃO:

Diante do explicitado e de acordo com o protocolo elaborado pelo setor de Fisioterapia Respiratória do UNISALESIANO na Santa Casa de Lins, se pode afirmar que o mesmo contribui de forma significativa aos objetivos propostos pelo mesmo; sendo de suma importância o real conhecimento da dinâmica pneumofuncional do paciente crítico submetido a VMI em UTI, pelo acadêmico que tem demonstrado na prática, maior compreensão do estado geral e respiratório além de interesse dos mesmos pela área, correspondendo assim, aos propósitos estabelecidos pelo estágio, cujo intercâmbio teórico-prático tem proporcionado melhores resultados na rotina do setor. Vale ressaltar que fora solicitado pelo diretor técnico da Santa Casa a integração de tal protocolo junto ao prontuário dos pacientes em virtude da importância dos dados contidos no mesmo, sendo que este vem sofrendo reestruturação acrescentando-se quesitos para maior aquisição de dados específicos e complementares na tentativa de maximizar cada vez mais a atuação dos futuros profissionais em Fisioterapia Intensiva.

REFERÊNCIAS:
CARNEIRO, J.A.M.C.; CARNEIRO I.E.E. Estrutura e funcionamento do ensino superior na área da saúde. Rio de Janeiro: Atheneu, 1996.
CARNEIRO, J.A.M.C.; CARNEIRO I.E.E.; CARNEIRO J.A.M.E. Metodologia do ensino superior. Rio de Janeiro: Folha Carioca, 2000.
COLTRI, V. M. Comparação dos valores referentes à complacência estática de acordo com as variações do volume corrente mensurado e ofertado durante a ventilação mecânica. 2006. Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro
Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins.
4CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (COFFITO). Brasília, 2007. Disponível em:<http://www.coffito.org.br>. Acesso em: 13 set. 2007.
EMMERICH, J. C. Monitorização respiratória: fundamentos. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.
. Suporte ventilatório: aplicação prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.
ENRICONE, D. et al. Planejamento de ensino e avaliação. 16. ed. Porto Alegre: Sagra, 1996.
MACKENZIE, C. F. et al. Fisioterapia respiratória em unidade de terapia intensiva. Tradução Nadia Gagaus; Supervisão Maria Ignês Zanetti Feltrim. SãoPaulo: Panamericana, 1988.
MAZOCA, A. C. R. S.; CUNHA C. P. Análise comparativa do volume corrente e volume minuto observados no ventilador mecânico e mensurados através do
Ventilômetro de Wright pelo fisioterapeuta em UTI. 2005. Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins. MEDICINA INTENSIVA. São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.medicinaintensiva.com.br>. Acesso em: 13 set. 2007.
NAKAGAWA, N. K; BARNABÉ, V. Fisioterapia do sistema respiratório. São Paulo: Sarvier, 2006.
PRYOR, J. A.; WEBBER, B. A. Fisioterapia para problemas respiratórios e cardíacos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002
SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA (SOBRATI). Centro de estudos em terapia intensiva, São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.sobrati.com.br/ceti.htm>. Acesso em: 13 set. 2007.
TAKASSI JÚNIOR, D. R. Estudo das variações da pressão do cuff pelo fisioterapeuta em pacientes intubados e ventilados artificialmente. 2006.
Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins.
TAVARES, B. M. Análise comparativa da complacência dinâmica de acordo com as variações do volume corrente ofertado e mensurado durante a ventilação mecânica. 2006. Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Especialização em Fisioterapia intensiva em Manaus 2011.

Diante da repercussão positiva do desempenho apresentado pelos nossos especializandos em fisioterapia intensiva na cidade de Manaus, associado a uma grade curricular diferenciada que contempla tanto a teoria como a vivência prática, estas realizadas dentro da UTIs dos nossos hospitais conveniados, encerramos 2010 como uma das especializações em fisioterapia intensiva mais completa em fisioterapia intensiva da cidade de Manaus.

Encontramo-nos em um dos sites mais conceituados sobre Instituições e especializações do Brasil (acessar:http://www.educaedu-brasil.com/especializacao-profissionalizante-em-fisioterapia-intensiva-pos-graduacao-27509.html).

Aproveitando, estaremos iniciando uma nova turma de especialização em fisioterapia intensiva em Março de 2011, onde a partir da realização de uma prova de admissão, abriremos 30 vagas e concederemos descontos aos melhores colocados.

Para maiores informações:www.sobratimanaus.com

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Novas Diretrizes durante a Parada Cárdiorespiratória.

Novas Diretrizes durante a Parada Cárdiorespiratória.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) anunciou na noite desta segunda-feira (18) a publicação das “Novas Diretrizes Mundiais das Emergências de Ressuscitação após Parada Cardíaca”, uma atualização do conhecimento médico sobre como evitar a morte de uma vítima de infarto, com a ajuda da massagem cardíaca e do uso de desfibriladores.

A nova recomendação é que, diante de uma pessoa inconsciente e que não respira, o leigo peça a alguém para telefonar para o 192 e inicie imediatamente a compressão do peito, ou seja, a massagem cardíaca. A compressão deve ser intensa e profunda: a cada uma o peito do paciente deve ser comprimido por pelo menos 5 centímetros (ou, no caso de crianças, 4 centímetros) e devem ser feitas 100 compressões por minuto. Um vídeo de divulgação da American Heart Association ensina que o ritmo é parecido com o da música Stayinsg Alive, do grupo Bee Gees.

A SBC ressalta que a "massagem" recomendada é muito mais intensa e a frequência aumentou. Além disso, o leigo não precisa fazer a respiração boca a boca. Mais importante, segundo as novas diretrizes, é que ele faça as compressões e peça para alguém trazer o mais rápido possível um desfibrilador automático, que hoje existe em locais de grande aglomeração de pessoas, como estádios, aeroportos e shoppings.

“Essas Diretrizes são da maior importância num país como o nosso, em que 315 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares a cada ano”, diz o presidente da SBC, Jorge Ilha Guimarães. Para ele, é possível que metade dessas mortes possam ser evitadas, se o público leigo estiver preparado para fazer a compressão e usar o desfibrilador. A cada minuto de parada cardíaca, o paciente perde 10% da chance de sobreviver.

A redação das novas diretrizes contou com a participação do cardiologista brasileiro Sérgio Timerman, junto com mais de 350 especialistas de 29 países.

Para os médicos, as novas diretrizes também trazem a norma resumida na sigla CAB, isto é, “Compression, Airway e Breath” (compressão, vias respiratórias e respiração). A regra é que primeiro se inicie a compressão, em seguida se garanta a abertura das vias respiratórias e, como consequência, a respiração. Numa segunda etapa, a recomendação é que os profissionais providenciem o resfriamento do organismo para 32 a 34 graus, em até 24 horas, e o cateterismo de urgência.


'' A SOBRATI, através dos Cursos IBS - Intensive Basic Support - Suporte Básico Intensivo, preconizava há 3 anos a diretriz que ressaltava a compressão de 5 cm e 100 por minuto. Salientava a importância da manutenção do FSC ( Fluxo Sanguíneo Cerebral ) e evitar a interrupção das compressões, portanto evitar as ventilações na MRCP. A AHA ( American Heart Association e SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia ) confirmam no novo protocolo as orientações e protocolos da SOBRATI. Agora, salienta a Fase 1-2-3, Consciência - Respiração-Circulação. Esperamos contribuir ainda mais na formação de socorristas - emergencistas - intensivistas. ''

Obs: Ventilar na dependência de pulso ( protocolo SOBRATI ).

Congresso hospitalar de Urgência e Terapia Intensiva


III CONGRESSO HOSPITALAR EMERGÊNCIA E TERAPIA INTENSIVA

XVIII FEIRA HOSPITALAR 2011 - 24 a 27 de maio


As incrições para o III congresso de emergência e terapia intensiva já estão abertas!!!!

Participem do maior evento em terapia intensiva do Brasil.

Organizada pela SOBRATI-Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva, o congresso acontecerá na cidade de São Paulo.

Inscrições: www.medicinaintensiva.com.br

INTERVENÇÃO DA FISIOTERAPIA INTENSIVA SOBRE A ATELECTASIA

INTERVENÇÃO DA FISIOTERAPIA INTENSIVA SOBRE A ATELECTASIA

A atelectasia ou colapso pulmonar é uma condição fisiopatológica em que há diminuição ou abolimento da ventilação em um segmento ou em toda porção pulmonar.

É ocasionada por uma obstrução de um brônquio ou pulmão, por uma distensão pulmonar inadequada ou depleção do surfactante, este quadro pode levar a uma insuficiência respiratória, parada cardiorrespiratória e até o óbito.

A fisioterapia atuará na desobstrução destas estruturas e na reinsuflação de áreas colapsadas restaurando assim a ventilação pulmonar. As manobras fisioterapeuticas de higiene brônquica, como a drenagem postural e a vibrocompressão, deslocam e modificam a consistência das secreções desobstruindo as vias para o fluxo de ar e as técnicas de reexpansão irão reinsulflar as zonas antes ocupadas ou colabadas por conta das secreções, desta forma há diminuição do trabalho respiratório do paciente e do espaço shunt, aumento do volume corrente (vc) e das unidades alveolares funcionais alterando positivamente a relação v/q. Entretanto a área que irá apresentar o maior ganho v/q será a zona apical onde a perfusão é menor (Zona 1 de West) em relação a base, já que aquela zona apresentará um resistência ao fluxo mais baixa. É também em base que ocorre o maior número de atelectasia por obstrução secretiva.

Em pacientes sob ventilação mecânica o fisioterapeuta intensivista deverá ajustar o valor de Peep ≅ 5 cmH2O ocasionando a reabertura dos alvéolos colapsados e recrutamento de unidades adicionais no lado contralateral, haverá desta forma aumento do volume corrente, da complacência pulmonar e otimização na relação V/Q. A melhora também ocorre pela diminuição do FiO2 já que valores acima de 60% por um período maior de 24hs são lesivos ao paciente, o fisioterapeuta é responsável por acompanhar as alterações destes ajustes e adequá-los a partir do quadro clínico de cada paciente.

Esp. Andrezea Santos de Souza

Esp. Jameson Solimões da Silva