terça-feira, 31 de maio de 2011

Fisioterapeuta é presença obrigatória no quadro básico das equipes de UTI

Fisioterapeuta é presença obrigatória no quadro básico das equipes de UTI

A fisioterapia é uma das profissões da área da saúde mais recentes no Brasil (regulamentada em 1969). De acordo com Daniel Arregue, fisioterapeuta especialista em terapia intensiva, a participação destes profissionais na fisioterapia respiratória ambulatorial e hospitalar teve início nos anos 70 e na década seguinte eles começaram a atuar dentro da terapia intensiva. “Com a difusãoUTI deste campo de atuação surgiram alguns cursos extracurriculares, ministrados por profissionais com maior conhecimento na área, e algumas faculdades de fisioterapia passaram a incluir no seu programa didático a disciplina relacionada à Terapia Intensiva”, explica. Daniel diz que, no começo, algumas condutas de fisioterapia respiratória e motora realizadas nos ambulatórios e enfermarias eram adaptadas e aplicadas nos pacientes internados nas unidades de terapia intensiva e, muitas vezes, elas não estavam totalmente adequadas ao quadro clínico dos pacientes críticos.


A atividade do fisioterapeuta
O especialista explica, porém, que, nos últimos anos, a fisioterapia em terapia intensiva foi sendo desenvolvida, e tornou-se uma especialização reconhecida pelo Ministério da Saúde, através da portaria GMMS no 432 de 1998, a qual indica a obrigatoriedade da presença deste profissional no quadro básico das equipes das unidades de terapia intensiva.

“Hoje em dia, a atividade do fisioterapeuta na UTI está direcionada ao paciente crítico como um todo. O primeiro contato do aluno do curso de fisioterapia com a especialidade começa com estágio na área de pelo menos um ano e o aperfeiçoamento depois de formado pode ser adquirido por meio de cursos de pós-graduação reconhecidos e programas de residência na área”, diz.

Segundo Daniel, a rotina diária de trabalho do fisioterapeuta intensivista geralmente é realizada na forma de plantões de 12 horas diurnas ou 24 horas. “Ao chegar à UTI o fisioterapeuta recebe as informações sobre os pacientes de um colega fisioterapeuta, se os plantões forem de 24 horas, ou de um médico, se forem somente de 12 horas. Em seguida este profissional analisa os exames de gasometria arterial, radiografia de tórax e outros, se estiverem disponíveis, e então dá início ao exame físico do paciente à beira do leito”, diz.

Ao terminar o exame físico, o profissional elabora as principais atividades levando em consideração os riscos de complicações e as contra-indicações para cada paciente. “Algumas programações terapêuticas como: o desmame da ventilação mecânica e extubações geralmente são discutidas nos rounds junto com a equipe médica e de enfermagem”, explica Daniel.

Informações necessárias
De acordo com o especialista, o ideal é que o fisioterapeuta, ao assumir o plantão, receba de um colega de profissão as informações dos pacientes e depois as complemente com as informações obtidas pelo médico do seu plantão. “Porém, em muitas UTIs os plantões da fisioterapia são somente de 12 horas diurnas e, neste caso, este profissional somente receberá os dados clínicos na passagem de plantão dos médicos”, diz.

Ele esclarece que as informações passadas se resumem basicamente ao quadro clínico atual de cada paciente e a(s) necessidade(s) de suportes básicos de vida, o curso da doença (melhor, pior ou inalterado), os dados importantes de exames complementares, as intercorrências no plantão anterior, as respostas clínicas do paciente a um determinado tipo de tratamento médico e/ou fisioterapêutico e as propostas fisioterapêuticas.

“Outras informações como a previsão de alta do CTI para um determinado paciente e a programação de transporte intra-hospitalar de pacientes em ventilação artificial, a serem realizados no plantão de quem assume são exemplos menos freqüentes, mas que têm importância para a programação do plantonista que está chegando”, comenta.

De acordo com o especialista, muitas atividades são compartilhadas dentro da UTI, desde as mais simples, como aspiração traqueal de secreções, que pode ser realizada por todos os profissionais, até as mais complexas e críticas, como a massagem cardíaca e ventilação pulmonar manual durante parada cardiorrespiratória.

“Outra atividade muito frequente é a mudança de decúbito postural dos pacientes que pode ser realizada tanto pela equipe de fisioterapia quanto pela equipe de enfermagem, entretanto, esta tarefa pode ser direcionada a cada profissional conforme a finalidade terapêutica: geralmente, a fisioterapia posiciona os pacientes visando melhorar a função respiratória e a enfermagem visando prevenir úlceras cutâneas de pressão. Neste caso, para que a finalidade de um não seja empecilho para o outro, deve haver entrosamento e bom senso entre ambos de forma que prevaleça a conduta que no momento seja a mais importante para o paciente”, esclarece.

Integração entre equipes
Para qualquer atividade, seja ela compartilhada ou não, é necessário, segundo Daniel, muita comunicação e esclarecimento dos objetivos entre as equipes. “Os efeitos adversos ou complicações relacionadas com os procedimentos não são raros e é comum que um profissional de outra equipe os identifique e sinalize o mais rápido possível ao profissional que a realizou ou ao médico, para que as devidas providências sejam tomadas a tempo”, exemplifica.

Daniel acredita que não há motivos para haver atritos entre fisioterapeutas e médicos na UTI. Ele mesmo conta que nunca passou por isso. “As tarefas essenciais de cada profissão estão bem definidas e, acima de tudo, cada profissional deve estar ciente e focado no objetivo maior que é prover o melhor tratamento possível e os cuidados necessários para os pacientes”, acredita.

Ele lembra que recentemente alguns conflitos existiram entre os profissionais quando o Conselho Federal de Medicina passou a discutir e a reivindicar o direito de exercício de algumas tarefas, como por exemplo, a indicação e programação da ventilação artificial. Aliás, ele acredita que esta atividade foi uma das principais que justificaram a inclusão e a permanência do fisioterapeuta especialista dentro da UTI.

“Atualmente, percebo que este assunto está sendo naturalmente encaminhado para o bom senso e o bem estar dos pacientes e estes profissionais estão compartilhando estas ações de forma respeitosa. Com isso, quem se beneficia é o paciente que passa a ter mais profissionais cuidando de uma das etapas mais complexas do seu tratamento”, conclui

retirado do site: http://www.sescad.com.br/findme.htm?id=14750

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ESPECIALIZAÇÃO EM TERAPIA INTENSIVA DA SOBRATI AMPLIA CONHECIMENTO NAS UTIS E JÁ COMPLETA 10 ANOS.

ESPECIALIZAÇÃO EM TERAPIA INTENSIVA DA SOBRATI AMPLIA CONHECIMENTO NAS UTIS E JÁ COMPLETA 10 ANOS.

Ji - Jornal do Intensivista

O Programa Nacional de Especialização em Terapia Intensiva da SOBRATI completa 10 anos e já está em todas as regiões brasileiras.

Iniciado com a isioterapia Intensiva, já ampliou para Enfermagem Intensiva, Odontologia Intensiva, Psicologia Intensiva e Medicina Intensiva.

Profissionais de todo país complementam a formação universitária e cursos de especialização acadêmica nos cursos de especialização profissionalizante na SOBRATI.

O Programa discute protocolos atuais, educação humanizada e interdisciplinar.

Professores passam por formação específica no Programa Nacional de Mestrado, levando os ideais e a ideologia da Qualificação, Democratização e Humanização das UTIS - Pilares da SOBRATI.

´´ A SOBRATI inaugurou uma nova era na educação de UTI, forma intensivistas cada vez mais éticos, humanos e educadores. Transforma o atendimento, democratiza a qualidade '' ( Dr Douglas Ferrari - Presidente Fundador da SOBRATI )

Aula inaugural no Hospital São Paulo do Piauí em Janeiro de 2011 - Turmas de Enfermagem e Fisioterapia - Presença de Médicos, Nutricionistas e Psicólogos na formação técnica.

Mestrado da Sociedade brasileira de terapia intensiva

MESTRADO DA SOBRATI JÁ É REFERÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL

Ji - Jornal do Intensivista

O Programa nacional de formação de professores intensivistas da SOBRATI tem abrangido todo território nacional e contribuido para ampliar, discutir e atualizar a ciência intensivista.

Muitas UTIs e Instituições de Ensino já tem se benficiado com o Programa onde protocolos nacionais e internacionais são transmitidos às futuras gerações de intensivistas e emergencistas.

O ano de 2011 iniciou com a região nordeste em pleno vapor. O MPTI já tem alcançado sucesso e reconhecimento nacional na formação da qualidade e conceitos educacionais éticos e humanos.


sábado, 21 de maio de 2011

Fisioterapia Intensiva na Parada Cardiorrespiratória

Fisioterapia Intensiva na Parada Cardiorrespiratória

Autor: Rodrigo Tadini
CREFITO:: 51630 - F
Cidade: São Bernardo do Campo
Estado: SP
Email: rodrigoafib@hotmail.com)
Instituição: Hospital Santa Cruz

Orientador: Douglas Ferrari

Introdução: O presente trabalho tem como proposta mostrar a atuação do fisioterapeuta mediante a Parada Cardiorrespiratória (PCR) junto a equipe clínica. Para isso, contamos com diretrizes e protocolos como o Advanced Cardiologic Life Suport da American Heart Association (ACLS) e o Suporte Avançado em Fisioterapia Intensiva (SAFI), os quais devem ser bem estudados e compreendidos continuamente, pois é de extrema importância o atendimento eficaz, precoce e rápido para garantir prognóstico mais favorável podendo beneficiar vítimas intra e extra hospitalar, evitando óbitos e seqüelas neurológicas graves evitáveis. Hoje o fisioterapeuta é elemento de grande importância na cadeia de sobrevida, conseguindo nestas situações graves prestar os cuidados, principalmente através da assistência ventilatória, a qual permite fundamentalmente a oxigenação e manutenção do fluxo cerebral. Estima-se que novas diretrizes devam ser divulgadas e compreendidas para melhor instruir a fisioterapia no atendimento do paciente grave.

Objetivo: Na importante tarefa de manter a vida, a preservação das funções de órgãos vitais, particularmente o cérebro e o miocárdio tornam-se essenciais .
A PCR constitui hoje umas das mais importantes emergências clinicas sendo indispensável rapidez e agilidade no pronto atendimento.O principal objetivo é mostrar a atuação do profissional fisioterapeuta mediante esta situação, através das principais técnicas utilizadas neste tipo de socorro junto à equipe multidisciplinar a qual é composta por fisioterapeutas, médicos e enfermeiros, onde, é muito importante o trabalho organizado e rápido desta equipe, pois cada segundo numa PCR é essencial para a sobrevivência e a qualidade de vida destes pacientes pós PCR com mínimo dano neurológico possível.

Artigo na integra: http://www.sobrati.com.br/trabalho2-jan-2004.htm

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Distúrbios respiratórios

Distúrbios respiratórios

Na atual sociedade, os problemas respiratórios, estão ligados diretamente ao mal tempo, a poluição e outros afins de uma sociedade em geral. Afinal, quem não possuiu um problema respiratório.

Os cuidados devem ser redobrados para manter e/ou absorver uma qualidade de vida melhor. Porém, não é uma tarefa fácil como imagina-se.

Saiba algumas dos distúrbios respiratórios que podem ser causados por todas essas funções de grande cidades:

Pneumonia
Causada por uma infecção pulmonar causada por diversas espécies de bactérias. A bactéria se instala nos pulmões, e os sintomas muitas vezes são febre alta, falta de ar, dores no peito e expectoração de catarro e algumas vezes, com sangue. Algumas vezes, atinge pessoas com baixa ação imunológica.

Asma Brônquica
É definida como uma doença respiratória em que a constrição dos brônquios e a inflamação de sua mucosa impede e/ou dependendo da situação limita a passagem do ar, causando dificuldade respiratória. Seus sintomas são intensos de espirros, inflamação ocular e da mucosa nasal, e consequentemente uma respiração com difícil absorção de oxigênio.
Rinite Alérgica
É uma inflamação das mucosas que revestem as cavidades nasais devido a processos alérgicos e assim produzem excesso de muco.

Sinusite
A sinusite é uma inflamação de cavidades existentes nos ossos da face, na qual bactérias invadem as fossas nasais, que podem causar dor na face e corrimento nasal mucoso. (algumas vezes com com pus).

Resfriado
Muito comum nas grandes populações, principalmente com baixa qualidade de vida, pode ser causado pó diversos tipos de vírus e é mais propício no inverno. Além da coriza, podem aparecer outros sintomas, como sensação de garganta seca, febre e olhos avermelhados e alguns casos lacrimejantes.

Bronquite Crônica
O grande problema da sociedade, principalmente em crianças, para adultos, o grande mal é causado por cigarros. A respiração torna-se curta e os acessos de tosse são constantes.

Coqueluche
Doença famosa na infância, causada por uma bactéria que se instala na mucosa das vias respiratórias (laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos).

Tuberculose
Também causada por uma bactéria que se instala, muitas vezes nos pulmões. Os alvéolos pulmonares inflamam-se e sofrem necrose (morte celular). A prevenção da tuberculose consiste em evitar o convívio com pessoas doentes e só consumir leite pasteurizado ou adequadamente fervido, pois a bactéria pode estar presente no leite. O tratamento é feito com antibióticos.

Bronquite Crônica

O grande problema da sociedade, principalmente em crianças, para dultos, o grande mal é causado por cigarros. A respiração torna-se curta e os acessos de tosse são constantes.

Enfisema

É a obstrução completa dos bronquíolos. A sobrecarga nos pulmões leva a maioria dos pacientes com enfisema a morrer de insuficiência cardíaca.

Câncer de Pulmão
O hábito de fumar é a principal causa do câncer de pulmão. Diversas substâncias contidas no cigarro são cancerígenas. Células cancerosas originadas nos pulmões se multiplicam descontroladamente, podendo invadir outros tecidos do corpo, onde originam novos tumores.

Embolia Pulmonar
É o fechamento da artéria pulmonar ou de um de seus ramos, provocado por bolhas de ar, fragmentos de tumores ou freqüentemente por coágulos sanguíneos.
Coqueluche
Doença famosa na infância, causada por uma bactéria que se instala na mucosa das vias respiratórias (laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos).

Rinite Alérgica
É uma inflamação das mucosas que revestem as cavidades nasais devido a processos alérgicos e assim produzem excesso de muco.

É de extrema importância salientarmos que distúrbios respiratórios devem ser analisados e verificados com um médico especialista. A auto medicação pode trazer sérios problemas a uma pessoa.

Procure sempre orientação médica e caso procure uma atividade física, seja a realize com orientação de um profissional da área de educação física qualificado e competente para solução destes males à saúde

referencia bibliográfico
Prof. Especialista Alexandre Vieira
Sócio-Diretor da Evolution – Cursos para Preparação Profissional

domingo, 3 de abril de 2011

FISIOTERAPIA:USO DE CPAP EM NEONATOLOGIA

FISIOTERAPIA:USO DE CPAP EM NEONATOLOGIA
INTRODUÇÃO: 
Diversos fatores contribuem para a manutenção desses indicadores de saúde, infecções respiratórias, infecções durante o trabalho e o parto, além daquelas adquiridas no período pós-natal. Dentre estes, o distúrbio respiratório em neonatos representa a maior causa de internações em Unidades de Cuidados Intensivos ao Neonato, seguida pela prematuridade, pelos distúrbios metabólicos e pelas infecções. (MARGOTTO, P.R., 2004).
Neste contexto, dentre outras técnicas, o fisioterapeuta, tem como coadjuvante ao tratamento das desordens respiratórias em neonatos o uso do CPAP (Continuous Positive Airway Pressure ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). (POSTIAUX, G. 2004).
A Pressão Positiva nas Vias Aéreas (CPAP) é a aplicação de pressão positiva em todo o ciclo respiratório em um paciente que possui ventilação espontânea (CZERVINSKE, 2004). A orientação desse tipo de tratamento em neonatos pode ser confiada ao fisioterapeuta, no entanto, este deve conhecer suas repercussões fisiológicas.
De acordo com Postiaux (2004), a ventilação com pressão positiva contínua começou a ser utilizada em pediatria a partir de 1971, no tratamento do prematuro portador de síndrome do desconforto respiratório (SDR) e, constitui ainda hoje, tratamento padrão na prevenção precoce da SDR, bem como de outros distúrbios respiratórios.
De um modo geral, o CPAP é indicado em neonatologia, para tratamentos de estados clínicos que exigem um aumento da Capacidade Residual Funcional (CRF) e estados clínicos que exigem uma pressão positiva para manter a abertura das vias aéreas hipotônicas – o CPAP pode reduzir a angústia respiratória nos pacientes portadores de uma afecção cardíaca congênita no período pós-operatório de uma toracotomia, por exemplo. (PORTIAUX, 2004).
Na literatura não há contra-indicação absoluta quanto ao uso do CPAP, porém, algumas situações exigem maiores cuidados e restrições, como o pneumotórax, episódios freqüentes de apnéia, deficiência respiratória com impossibilidade de manter volume corrente suficiente, instabilidade cardiovascular severa, além de hipovolemia, insuficiência renal, hipotensão arterial. (PORTIAUX, 2004).
O presente artigo visa realizar uma revisão bibliográfica do uso do CPAP em neonatologia, sua finalidade, suas indicações, restrições, suas contribuições para a prevenção e tratamento dos distúrbios respiratórios em neonatos, bem como realçar o papel do Fisioterapeuta Intensivista dentro da equipe multiprofissional, contribuindo assim, para que, a partir da realidade existente, possam ser colocadas em prática as perspectivas quanto à profissionalização e a educação na área da Fisioterapia em Terapia Intensiva.   
 2.1CPAP NASAL

A pressão positiva final nas vias aéreas (CPAP- Continuous Positive Airway Pressure) consiste na manutenção de uma pressão supra-atmosférica durante a expiração em um paciente que respira espontaneamente. (MÜHLHAUSEN, G, 2004).
Técnica utilizada pela primeira vez por Gregory em 1971, para tratamento da Membrana Hialina e em 1973, Dr. Jan-Tien Tung começou a fazer prongas nasais de sua própria fabricação. Dispositivo com duplo cateter curto para aplicação de CPAP nasal, com a vantagem de oferecer menor resistência ao fluxo aéreo do que a cânula endotraqueal, pois apresenta um diâmetro interno superior ao diâmetro interno da cânula endotraqueal (SAMPIETRO et al., 2000). 
A entrada e saída de ar dos pulmões dependem de uma diferença de pressão entre o meio externo e o interno, tal pressão é denominada pressão intrapleural - a pressão resultante entre a pressão intrapleural e alveolar, sendo ela quem controla a quantidade de ar que entra ou sai do pulmão. Ou seja, pressão transpulmonar = (pressão intrapleural) – (pressão alveolar). Em termos práticos: se a pressão aplicada aos alvéolos durante a expiração é de +4cm e a pressão intrapleural é de -3cm a pressão transpulmonar seria de 7cm de H2O. De acordo com o exposto, pode-se dizer que a pressão positiva ótima ofertada pelo CPAP, deve ser àquela que permita uma oferta máxima de oxigênio aos tecidos com o mínimo de gasto cardíaco.  (MÜHLHAUSEN, G, 2004).
Existem, basicamente, duas formas de se obter pressão positiva contínua. Uma, através do CPAP de selo d’água, no qual se utilizam de fluxômetros de oxigênio e ar comprimido, neste a FiO2 é controlada pela somatória dos fluxos, proporcional à quantidade de cada gás na mistura. E, a segunda, é através do ventilador mecânico, no qual as fontes de gás estão interligadas ao aparelho e os ajustes de fluxo e FiO2 são realizados por botões específicos, enquanto que a PEEP (pressão expiratória positiva final), é fornecida por uma válvula expiratória, no circuito do ventilador mecânico. (ZACONETA, 2006).
Nesta perspectiva, utiliza-se CPAP em neonatos, tanto pelas vantagens fisiológicas proporcionadas pela técnica, quanto pelo fato de os neonatos serem, segundo Kattwinkel (1973), respiradores nasais obrigatórios.

 2.2 EFEITOS FISIOLÓGICOS
 Os efeitos fisiológicos pulmonares da CPAP incluem: aumento da capacidade residual funcional (CRF) e o volume de gás torácico ocasionados pela reversão de áreas atelectásicas e aumento da superfície alveolar disponível para a realização de trocas gasosas, com conseqüente diminuição do shunt intrapulmonar e melhora da ventilação alveolar; prevenção de atelectasias em áreas de instabilidade alveolar, levando à preservação do sistema surfactante, associada à estimulação da sua própria liberação, através de um mecanismo colinérgico, aumentando a capacidade funcional; aumento do calibre de vias aéreas de acordo com suas complacências, promovendo redução da resistência e incremento da ventilação em áreas parcialmente obstruídas; regulariza a respiração e diminui o trabalho respiratório; diminui a freqüência respiratória, o volume corrente e a ventilação-minuto; e, no prematuro extremo melhoram o volume corrente, que é pequeno e ineficaz pela alta complacência torácica. (CARVALHO, W.B & JOHNSTON, C., 2006).
Portanto, a utilização da CPAP resulta em redução do trabalho respiratório e incremento das trocas gasosas, com conseqüente elevação da pressão parcial de O2 (PaO2) e diminuição da pressão parcial de CO2 (PaCO2). (CARVALHO, W.B & JOHNSTON, C., 2006).


2.3 INDICAÇÕES
           O uso do CPAP nasal era descrito anteriormente exclusivamente nos casos de prematuros maiores com doença da membrana hialina leve ou moderada, aqueles de muito baixo peso deveriam ser intubados e submetidos à ventilação mecânica. (MALTA, M., 2006).
Em neonatologia as principais indicações de CPAP nasal são: anormalidades no exame físico, como presença de aumento de trabalho respiratório, retração diafragmática, tiragens intercostais e supraclaviculares, sibilos, batimento de “asa” do nariz, palidez ou cianose da pele e agitação, inabilidade de manter uma PaO2 maior que 50mmHg com uma FiO2 menor ou igual a 0,6. Presença de pulmões mal expandidos e com infiltrados na radiografia. Síndrome da angústia respiratória, edema pulmonar, atelectasia, apnéia da prematuridade, extubação recente e taquipnéia do neonato. (Bower apud Assis, 2006).
Deve-se iniciar a pressão positiva contínua em vias aéreas precocemente em casos de desconforto respiratório menos acentuado, com o intuito de estabilizar as vias aéreas terminais e evitar a formação de atelectasias. Indica-se CPAP nasal se o recém-nascido mantiver valores de PaO2 abaixo de 50mmHg ou SatO2 inferiores a 85%, apesar da utilização de concentrações de O2 acima de 60%. No geral, inicia-se com níveis de pressão entre 3 e 5 cmH2O e FiO2 de 0,60. (SARMENTO, 2007).
No caso de apnéia, ao estabilizar a caixa torácica, o CPAP, reduz o impulso neuronal aferente negativo sobre o centro respiratório, aumenta a patência das vias aéreas superiores, tanto pela dilatação dos músculos dilatadores, como pela abertura passiva das vias aéreas pela pressão positiva; Em pneumonia, reverte atelectasia dos alvéolos colapsados pelo processo pneumônico; Reverte a queda da capacidade residual funcional ocorrida em cardiopatias; E, na pós-extubação, período no qual as cordas vocais permanecem separadas, impedindo a manutenção da pressão positiva fisiológica que auxilia a manutenção da expansão pulmonar, prejudicando o reflexo da tosse resultando em aumento da secreção traqueobrônquica, o CPAP nasal tem efeito benéfico na função respiratória e previne atelectasias. (SILVA, 2005).

2.4 COMPLICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES DA CPAP NASAL
 A CPAP apesar de ser uma boa opção de suporte ventilatório, ao se instalar a CPAP é necessário estar atento para o aparecimento de possíveis complicações. Segundo Sarmento (2007), a qualquer sinal de piora da oxigenação ou das condições hemodinâmicas, deve-se optar pela ventilação pulmonar mecânica.
Existem casos, como na Síndrome da Aspiração Meconial em que a lesão pulmonar é extremamente heterogênea e a aplicação da CPAP eleva ainda mais a capacidade residual funcional, distendendo os alvéolos já abertos, sem reverter as áreas de atelectasia. (SARMENTO, 2007). Pacientes com nutrição inadequada, a CPAP pode aumentar o trabalho respiratório e ocasionar apnéia; A CPAP pode ocasionar ainda, aumento da acidose matabólica em decorrência de má perfusão renal. (MÜHLHAUSEN, G. 2004).
A pressão positiva contínua está contra-indicada quando há necessidade para intubação e/ou ventilação mecânica com presença de anormalidades das vias aéreas superiores, instabilidade cardiovascular severa, instabilidade respiratória com episódios de apnéia constante resultando em baixa a saturação e bradicardia, hérnia diafragmática congênita. (ASSIS, 2006).

2.5 RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS DE FISIOTERAPIA INTENSIVA
 O dispositivo de CPAP é de fácil utilização, porém requer uma equipe treinada e monitorização freqüente. Nesse aspecto, é necessário que o fisioterapeuta como membro da equipe multiprofissional, supervisione o sistema, observando os seguintes aspectos: verificar existência de oxigênio e ar comprimido; conexões de mangueiras, fluxo de gás utilizado e sua temperatura; umidificação dos gases; manômetro (pressão utilizada); posição da cânula nasal. Em se tratando de neonatos: aspirar secreção das vias aéreas se necessário; examinar narinas; cuidado com a pele, para evitar lesões. Observar ainda, oximetria de pulso (contínua), controlar gasometria arterial – de 30 minutos a 3 horas após cada mudança de pressão e/ou FiO2, radiografia de tórax diariamente, controle diário de exames laboratoriais e de balanço hidroeletrolítico, além da troca e esterelização do sistema a cada dois dias. (MALTA, M., 2006).

3.0 ESTUDOS CLINICOS

Um estudo publicado em 2004 relatava que a insuficiência respiratória constituía a causa mais comum de morte neonatal e que cerca de 20% dos recém-nascidos pré-termos submetidos à ventilação mecânica apresentavam danos pulmonares e que, nem o uso do surfactante pulmonar artificial nem o de corticóides pré-natais diminuíram a incidência de displasia broncopulmonar. Bem como a utilização da ventilação a altas freqüências e ventilação sincronizada, também não foram bem sucedidos. Em contrapartida, o uso da pressão positiva contínua na via aérea (CPAP) foi associada com uma diminuição da ruptura alveolar e a doença pulmonar crônica nos pré-termos que atenderam com síndrome da dificuldade respiratória (SDR). (MÜHLHAUSEN, G, 2004).
Em um estudo de revisão realizado na unidade de terapia intensiva neonatal do Jackson Memorial Hospital da Universidade de Miami, chegou-se a conclusão de que o uso do surfactante profilático, CPAP profilático, bem como a ventilação mecânica vai depender da experiência de cada serviço, justificada pela ausência de trabalhos publicados na área definindo melhor as melhores condutas. Afirma que o importante é aplicar técnicas corretas, com monitorização e gasometrias freqüentes e, no caso da CPAP como primeira escolha os trabalhos científicos parecem mostrar que essa terapia tem melhores resultados quando empregada após a administração profilática de surfactante. (SUGUIHARA, C. & LESSA, A. C., 2005).
Já em estudo mais recente realizado em Massachusetts e publicado em fevereiro de 2008, comparou o uso de CPAP ou intubação e ventilação mecânica nos 5 primeiros minutos após o nascimento de neonatos entre 25 e 28 semanas. Utilizou para tal, um total de 610 recém-nascidos. Os resultados foram analisados em 36 semanas de idade gestacional, percebendo-se que 33.9% de 307 infantes que foram atribuídos para receber CPAP tinham morrido ou tiveram displasia broncopulmonar, em comparação a 38.9% de 303 infantes que foram atribuídos para receber a intubação; Em 28 dias, havia um risco mais baixo de morte ou de necessidade para a terapia de oxigênio no grupo de CPAP do que no grupo da intubação; Houve pouca diferença na mortalidade total; A incidência de pneumotórax era 9% no grupo de CPAP, em comparação a 3% no grupo da intubação (P<0.001); Não havia nenhum outro evento adverso sério; O grupo de CPAP teve poucos dias de ventilação; As conclusões são que em uma gestação de 25 a 28semanas, o uso do CPAP nasal adiantado não reduziu significativamente a taxa de morte ou de displasia broncopulmonar, em comparação à intubação; E, mesmo que o grupo de CPAP tivesse maiores incidências de pneumotórax, pouco infantes receberam oxigênio em 28 dias, e os que receberam permaneceram poucos dias em ventilação. (MORLEY, C. J. e cols., 2008).

5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 ASSIS, E. P.S. e cols. Recursos Fisioterapêuticos, e Ventilação Mecânica em Neonatos. 2006.
 BRASIL, Ministério da Saúde. Painel de indicadores do SUS. 2006.
 CARVALHO, W.B & JOHNSTON, C., Efeitos da ventilação não-invasiva com pressão positiva no edema agudo de pulmão cardiogênico. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.52 nº.4 São Paulo July./Aug. 2006.
 CZERVINSKE, M. AACR Clinical Practice Guideline - Application of continuous positive airway pressure to neonates via nasal prongs, nasopharyngeal tube or nasal mask.  2004 Revision & Update. Respiratory Care, 2004.
 MALTA, M. V., Verificação da técnica de CPAP nasal e dos parâmetros oferecidos aos recém-nascidos em quatro hospitais da rede pública do Distrito Federal. Distrito Federal. Monografia apresentada como pré-requisito para a conclusão de Residência Médica em Pediatria. 2006.
 MARGOTTO, Paulo R., Causas de distúrbios respiratórios. Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco-2a Edição/2004.
 MORLEY, C., J. e cols. Nasal CPAP or Intubation at Birth for Very Preterm Infants. N. Engl J Med. Number 7. Volume 358:700-708. 2008.
 MÜHLHAUSEN, G., Uso actual de Presión Positiva Continua en la Vía Aérea (CPAP) en recién nacidos. Revista Pedratríca Eletrónica. Chile: Santiago. Vol1, 2004.
Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde. Mortalidade infantil. Painel de indicadores do SUS. Brasília-DF. 2005.
 Postiaux, G. Fisioterapia respiratória pediátrica: o tratamento guiado por ausculta pulmonar. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.
 SAMPIETRO, V.I. e cols. Medida da resistência ao fluxo aéreo em peças nasais de CPAP. Jornal de Pediatria. 2000.
 SARMENTO, George J. V. e cols., Fisioterapia Respiratória em Pediatria e Neonatologia. São Paulo: Barueri, Ed. Manole, 2007.
 SILVA, Tatiana Fonseca., CPAP. Unidade de Neonatologia do HRAS/SES/DF. Distrito Federal, 2005.
 (SUGUIHARA,C. & LESSA, A. C., Como minimizar a lesão pulmonar no prematuro extremo: propostas. Jornal de Pediatria - Vol. 81, N1(supl), 2005.

                             


sábado, 2 de abril de 2011

Treinamento Muscular Inspiratório na U.T.I.

Treinamento Muscular Inspiratório na U.T.I.


Para ALVES, T.K ; NAJAS, C. A musculatura respiratória é de grande importância, sendo ela um dos fatores que determina quando o individuo necessitará de auxilio ventilatório podendo ser invasivo ou não-invasivo. São conhecidos como músculos respiratórios: diafragma, intercostais, escalenos, esternocleidomastóideo e abdominais.

Os músculos respiratórios são considerados músculos esqueléticos estriados, quando se toma por base a origem embriológica, morfológica e características funcionais; porém, músculos respiratórios ao serem comparados aos músculos periféricos, possuem características próprias, como o aumento do fluxo sanguíneo mediante esforço, pela grande capacidade oxidativa e a alta resistência à fadiga.

Dependendo das propriedades desses músculos respiratórios, as unidades motoras que compõe, a estrutura muscular esquelética podem ser: Unidades com alta resistência a fadiga (tipo I); Unidades com resistência intermediária a fadiga (tipo IIa); Unidades com baixa resistência fadiga (tipo IIb).Pode-se dizer então, que a resposta contrátil dependerá da composição de suas fibras.

Assim, músculos ricos em fibras tipo I conseguem suportar atividade de baixa intensidade por períodos longos; já os músculos ricos em fibras tipo II reagem bem a contrações rápidas e fortes. Logo se vê que os músculos respiratórios são uma mistura de fibras tipo I e II, estando preparado para atividades de baixa intensidade e de alta intensidade. Existem fatores que podem estar modificando estas respostas: idade, má nutrição, desuso, treinamento e aumento crônico do trabalho ventilatório.

Sendo que os dois últimos podem levar à adaptação celular com incrementos das enzimas oxidativas, e os outros fatores possivelmente resultam em atrofia tipo I; já a perda de força é resultante de atrofia das fibras tipo II.

Os programas de reabilitação pulmonar (PRP), tem por objetivo aliviar os sintomas e otimizar a função pulmonar, proporcionando ao paciente o nível mais alto possível de independência funcional, por meio de exercícios de condicionamento e fortalecimento muscular.

A fraqueza muscular periférica e respiratória, presente em indivíduos com longos períodos de internação representa fator adicional na intolerância aos esforços, na dispnéia e na qualidade de vida (Sarmiento AR et al 2002).

A participação do programa de reabilitação pulmonar (PRP) oferece resultados positivos para pacientes internados em uma unidade de tratamento intensiva (U.T.I) , como a melhora da tolerância ao exercício físico, redução da demanda ventilatória em esforço submáximo, melhora da eficiência do trabalho, diminuição da dispnéia, melhora nas atividades da vida diária e diminuição dos períodos de internação hospitalar.

Como a fraqueza dos músculos respiratórios pode estar relacionada à redução da tolerância aos esforços, ao aumento da dispnéia e à piora na qualidade de vida, o treinamento específico dessa musculatura vem sendo estudado, mas ainda persistem dúvidas e existem controvérsias a respeito de seus efeitos. Poucos estudos foram realizados comparando o treinamento físico isolado e o treinamento físico associado ao treinamento muscular respiratório.

Segundo Dekhuijzen et al., essa associação potencializa os efeitos da reabilitação pulmonar. Já Larson et al. não observaram melhora significativa na tolerância aos esforços e na qualidade de vida, quando adicionaram o treinamento muscular respiratório ao treinamento físico.

Por tudo isso, podemos analisar a importância de pesquisas sobre este assunto, para comprovar a eficácia do método ou verificar se seu efeito não apresenta importância significativa na reabilitação do individuo, na sua qualidade de vida e num rápido processo de desmame.

Referencias: Sarmiento AR, Orozco-Levi M, Guell R, Barreiro E, Hernandez N, Mota S, et al. Inspiratory muscle training in patients with chronic obstructive pulmonary disease: structural adaptation and physiologic outcomes. Am J Respir Crit Care Med 2002;166:1491-7.

Dekhuijzen R, Folgering HTM, Herwaarden CLAV. Target- flow inspiratory muscle training during pulmonary rehabilitation in patients with COPD. Chest 1991;99:128-33.

Larson JL, Covey MK, Wirtz SE, Berry JK, Alex CG, Langbein WE et al. Cycle ergometer and inspiratory muscle training in chronic obstructive pulmonary disease. Am J Respir Crit Care Med 1999;160:500-7.

ALVES, T.K ; NAJAS, C.A Fisionet: Importância da Musculatura Respiratória no Processo de Desmame em Pacientes Submetidos a Ventilação. Sexta-feira, 1 de Abril de 2011.


Esp.: Bárbara Bahia e Daniel Glória