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quinta-feira, 1 de março de 2012

AVALIAÇÃO DA PRESSÃO INTRA-CUFF EM PACIENTES NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DA FCECON

RESUMO


A avaliação da mensuração intra-cuff é necessária para se verificar o nível de pressão existente no balonete, no qual é encontrado nas extremidades distais das cânulas endotraqueais e de traqueostomia. Sendo então, importante para minimizar os efeitos deletérios advindos da exacerbação do nível pressórico interno ou pelo nível pressórico abaixo do normal. Para entendermos melhor todo o mecanismo é necessária a utilização de um dispositivo que permita a verificação da pressão. Este dispositivo, tal qual conhecido como Cuffômetro nos permite em tempo real observar o nível de pressão. Estabelecendo-se o seu uso rotineiramente nas unidades de terapia intensiva a maiores chances de se evitar a pneumonia associada à ventilação mecânica.
PALAVRAS CHAVES: pressão, cuff, cuffometria, ventilação mecânica, pneumonia


INTRODUÇÃO


Comumente se encontra em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pacientes sob ventilação mecânica (VM) com o objetivo de manter a ventilação pulmonar adequada através de uma prótese traqueal artificial, sendo as mais comuns as endotraqueais e as cânulas de traqueostomia (Aranha¹). Estes tipos de próteses possuem na sua parte distal como característica um balonete, também chamado de “cuff” que por definição é um manguito preenchido por ar localizado ao redor da traqueostomia ou tubo orotraqueal que se encaixa no interior da traquéia. Estima-se que valores entre 20 a 30 cmH2O são considerados seguros para evitar lesões. Entretanto, quando hiperinsuflado pode ocasionar o edema celular, perda de cílios e descamação do epitélio e quando a pressão for insuficiente aumenta o risco de broncoaspiração de secreções, podendo levar as infecções pulmonares (Juliano²), tais quais: a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Justificativa: a mucosa traqueal recebe diretamente a pressão transmitida pelo cuff e para evitar lesões é necessário observar o grau de pressão transmitido do cuff para a parede da traquéia. Objetivo: demonstrar que através da implantação da rotina de mensuração da pressão intra-cuff, obtém-se controle fidedigno para manter as medidas dentro dos parâmetros considerados seguros, evitando assim, um maior tempo de internação, menor custo com materiais e medicamentos e atenuação das complicações de morbidade e mortalidade.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizado um estudo prospectivo e descritivo das mensurações da pressão do cuff, verificando-se o percentual de inadequação na UTI adulto da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON). As medidas foram coletadas no período matutino e quando necessário ajustadas a 25 cmH2O.
Para obtenção da pressão do cuff, utilizou-se o aparelho específico denominado Cuffômetro, marca VBM, modelo CE 0123, com graduação de 0 a 120 cmH2O (Fig.: 1) que obtêm as pressões do balonete sendo um método simples, seguro e rápido para a medição e calibração da pressão do cuff. A pesquisa foi realizada através da mensuração do cuff (Fig.: 2) em dois pacientes (paciente 1 e paciente 2), com registro e tabulação dos dados inerentes às pressões.







RESULTADOS E DISCUSSÕES


Através da coleta dos dados foram obtidos os seguintes resultados:


Gráfico 1: níveis de pressão intra-cuff
Fonte: Arquivos do pesquisador.



O Gráfico 1 demonstra os valores pressóricos intra-cuff obtidos pós mensuração por cuffomêtro dos pacientes durante 7 dias sob VM. Evidenciando uma notória discrepância ao considerar o valor obtido com o valor predito de normalidade para pressão intra-cuff.
Ao analisar o paciente 1 conforme demonstrado no gráfico 1, observa-se uma constante variação pressórica variando de menor valor em 10 cmH2O e em maior valor 45 cmH2O e obtendo como média pressórica 19,57 cmH2O. Já o paciente 2 apresenta uma variação pressórica de 12 cmH2O em menor valor e 45 cmH2O em maior valor, adquirindo como média pressórica 23,71 cmH2O. É válido também observar que ambos os casos obtiveram medidas aquém do esperado, sobressaindo-se os valores abaixo do nível esperado, onde somente o terceiro dia e o paciente 2 no quarto dia se enquadrou nos valores normais.
Conforme Juliano², esses valores não devem ultrapassar 20 e 30 cmH2O e durante a (VM), a pressão do cuff deve ser baixa o suficiente para permitir a perfusão da mucosa e alta o suficiente para prevenir o vazamento de ar e impedir a aspiração das secreções. Pressões superiores a 30 cmH2O podem gerar lesões na parede da traquéia dificultando o desmame ou decanulação e pressões menores que 20 cmH2O podem levar a broncoaspiração.
Para Haringer³, o esforço a ser feito para evitar a aspiração de bactérias da orofaringe ao redor do cuff é manter a pressão do cuff em pelo menos 20 cmH2O e afirma que é um dos fatores de riscos modificáveis para se evitar a PAV.
Morris4 conclui que a maneira de evitar ou minimizar futuras lesões é a insuflação do cuff com pressão mínima, sendo suficiente para vedar a traquéia e não permitir o escape de ar durante a ventilação, contudo, é importante não ultrapassar os valores preditos e/ou respeitar a pressão de 25 cmH2O, o qual é valor limite da perfusão da mucosa traqueal.



CONSIDERAÇÕES FINAIS



A participação e a conscientização da equipe médica na observação dos níveis pressóricos são importantes para evitar ou minimizar os possíveis efeitos deletérios do cuff que podem variar de um edema traqueal até uma PAV. Diminuindo assim, os custos e os dias de internação, a medicação, a morbidade e a mortalidade.
Sugere-se a necessidade da vigilância das pressões do balonete através da implantação de uma rotina de mensuração, como meio profilático.



REFERÊNCIA



1. Aranha AGA, Forte V, Perfeito JAJ, Leão LEV, Imaeda CJ, Juliano Y. Estudo das pressões no interior dos balonetes de tubos traqueais. Rev Bras Anestesiol. 2003; 53(6):728-36.
2. Juliano SRR, Juliano MCR, Cividanes JP, Houly JGS, Gebara OCE, Cividanes GVL, Catão EC. Medidas dos níveis de pressão do balonete em unidade de terapia intensiva: considerações sobre os benefícios do treinamento. Rev Bras Ter Intensiva. 2007;19(3):317-21.
3. Hariger, Deborah Motta de Carvalho. Pneumonia associada à ventilação mecânica. Pulmão RJ 2009; Supl 2:S37-S45.
4. Morris LG, Zoumalan RA, Roccaforte JD, Amin MR. Monitoring tracheal tube cuf pressures in the intensive care unit: a comparison of digital palpation and manometry. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2007;116(9):639-42.


Escrito por Helena Nogueira.

Cuffometria



O paciente admitido na unidade de terapia intensiva, geralmente encontra-se com suporte ventilatório invasivo, sendo necessária a utilização de um ventilador mecânico e uma prótese traqueal que interligue o paciente ao ventilador. (1,2,6)Existem alguns tipos de próteses traqueais, como a endotraqueal (tubos orotraqueais) e a cânula de traqueostomia, que apresentam na sua estrutura, distalmente, umbalonete (cuff), onde sua mensuração regular, tem por função selar a via aérea, “fixando” a prótese, evitando fuga aérea de ar, possíveis broncoaspirações, lesões de cordas vocais, estenose, traqueomalácia, isquemia e necrose tecidual. (4,5,6)


Pacientes que apresentam maior dificuldade de desmame do ventilador e tem um maior tempo de permanência hospitalar, são candidatos a alterações na mucosa traqueal devido à intubação prolongada. É de importância incontestável a verificação das pressões intracuff de todos os pacientes submetidos a próteses traqueais, evitando assim complicações maiores à região traqueal. (1,3,6,9)






O balonete deve ser insuflado com uma pressão adequada, em torno de 20 a 34cmH2O (15-25 mmHg).(10) Pressões superiores a 34 cmH2O podem causar uma compressão na mucosa traqueal gerando lesões, como a estenose traqueal, granulomas, traqueomalácia, entre outras, inferiores a 20 cmH2O podem levar ao escape de ar e facilitar a broncoaspiraçãode conteúdo de vias aéreas superiores e/ou gástrico, favorecendo ao aparecimento de patologias associadas. (4,6,9)A pressão de perfusão capilar da traqueia encontra-se entre 25-35 mmHg, pressões do cuff acima de 34 cmH2O (25 mmHg) é o máximo aceitável, pois a pressão que é exercida pelo balonete, na traqueia, é superior a sua pressão interna. (10,11)

a.Cuffinsuflado com pressão adequada
b. Pressão inferior a ideal
c. Pressão superior a ideal

A mensuração do cuffé realizada através do cuffômetro, aparelho específico que é acoplado ao balonete externo da prótese, com auxílio, ou não, de um estetoscópio que pode ser posicionado na região anterolateral do pescoço, na qual a pressão de “selo” justa-traqueal pode ser ajustada através da ausculta.(9)Essa verificação, na prática, não está sendo feita, o que desfavorece os pacientes. Quando é verificada empiricamente, o profissional apenas palpa o cuff externo, o que não permite uma mensuração fidedigna. (3,6)A utilização desses dois métodos, citados anteriormente, permite mensurar o vedamento ideal do balonete evitando danos ao paciente. A verificação da pressão intracuff deve ser realizada, pelo menos, três vezes ao dia, para prevenir lesões isquêmicas e estenose traqueal. (11)








Para se mensurar a pressão intracuff, o profissional deve acoplar o balonete externo (piloto), presente na prótese traqueal, ao conector lateral do cuffômetro, posteriormente observar, no manômetro, a pressão do balonete, caso esteja menor do que 20 cmH2O, deve-se elevar a pressão apertando a região emborrachada, na parte inferior, do aparelho, se estiver maior que 34 cmH2O, aperta-se então a válvula de alívio, até atingir a pressão desejada. (Fig. 4 e 5).

É importante também, verificar sempre a pressão intracuff após mudança de angulação da cabeceira do leito. Estudos comprovaram que essa mudança altera a pressão que veda o balonete, consequentemente com essa despressurização, a ventilação pode se tornar inadequada, além de favorecer ao aumento da incidência de infecções respiratórias por broncoaspiração. (6,7,8,9)Acredita-se ainda que vários outros fatores promovam variações de pressão intracuff, como mudanças no tônus da musculatura da traquéia, hipotermia, hipertermia e a difusão de gás anestético para dentro do balonete das próteses. (10)

Na ausência de um cufômetro, pode ser produzido artesanalmente, um aparelho semelhante e de custo bastante inferior, com materiais de fácil acesso. Para calibrar a pressão intracuffcom esses materiais, o profissional retira o manguito de látex do esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e pode adequar em seu lugar um pedaço da sonda de aspiração, a qual está conectada à torneira de três vias que também está ligada à seringa de 5mL; o outro ramo da torneira de três vias ajusta-se ao balonete-piloto do tubo endotraqueal do paciente. Dessa forma ao se manipular a seringa o profissional pode calibrar a pressão intracuffno valor desejável.(2) Observar que os valores mensurados serão em mmHg, e não em cmH2O como no cufômetro convencional, sendo assim os valores adequados estariam entre 15-25 mmHg.




(A) seringa de 5mL; (B) torneira de três vias; (C) 5cm de sonda de aspiração n.14; (D) conexão para o esfigmomanômetrode coluna de mercúrio; (E) balonete-piloto do tubo endotraqueal e (F) manômetro de mercúrio do esfigmomanômetro.

A cuffometria é um procedimento simples, necessário e indispensável, que deve ser realizado pelo menos três vezes ao dia, diariamente, para manutenção da região traqueal, evitando assim lesões recorrentes da utilização das próteses traqueais. Sem esquecer-se de mensura-la após alteração de posicionamento e angulações da cabeceira do leito.

Referências Bibliográficas

1. BRAS JR et al. Endotracheal tube cuffpressure: need for precise mensuremnet, Medicine Journal, v. 117, p. 243-247, 1999.

2. GODOY ACR, VIEIRA RJ. Pressões intracuff: Método econômico para calibragem. Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 15(3):267-269, 2006.

3. PENITENTI RM et al. Controle da pressão do cuff na unidade de terapia intensiva: Efeitos do treinamento.RevBras Ter Intensiva. 22(2):192-195, 2010.

4. ARANHA AGA. Estudo das pressões no interior do balonetes dos tubos traqueais. Revista Brasileira de Anestesiologia, v.. 52, n. 6, 2003.

5. JULIANO SRR et al. Medidas dos níveis de pressão do balonete em UTI: Considerações sobre os benefícios do treinamento. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.19, p. 317-321, 2007.

6. ONO FC et al. Análise das pressões de balonetes em diferentes angulações da aabeceira do leito dos pacientes internados em unidade de terapia intensiva. RevBras Ter Intensiva. 20(3):220-225, 2008.

7. TORRES A et al. Pulmonaryaspirationofgastriccontentes in patientsreceivingmechanicalventilation: theeffectofbody position. Ann Intern Med. 116(7):540-3, 1992.

8. MEDALHA S, OLIVEIRA LC, GODOY I. Avaliacao da pressão no balonete das cânulas endotraqueais e de traqueostomiaem pacientes na unidade de terapia intensiva. RevBras TerIntensiva. 11(3):90-3, 1999.

9. CAMARGO MF, ANDRADE APA, CARDOSO FP, Melo MHO.Analise das pressões intracuff em pacientes em terapia intensiva.RevAssocMedBras (1992). 52(6):405-8, 2006.

10. III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. J Pneumo. 33 (supl2): S 142-S 150, 2007.

11. GODOY ACR, VIEIRA RJ, DE CAPITANI EM. Alteração da pressão Intra-Cuff Endotraqueal após Mudança da Posição em Pacientes sobre Ventilação Mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, p. 294-297, 2008.

Resenha elaborada pela especializanda Nádia Gomes B. dos Santos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SOBRATI DESTACA-SE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INTENSIVISTAS

SOBRATI DESTACA-SE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INTENSIVISTAS

Ji - Jornal do Intensivista

Profissionais de todos estados brasileiros estão participando ativamente no Programa Nacional de Formação de Professores e Especialistas Intensivistas da SOBRATI em nível de Especialização e Mestrado Profissionalizante.

O Programa oferece a oportunidade de receber protocolos clínicos interdisciplinares, atuação e discussão avançada em síndromes universais.

O método implementado é fruto de amplo trabalho e pesquisa nas UTIs e serviço emergencial e é coordenado nacionalmente pelo médico intensivista e emergencista Dr Ferrari.

Segundo o mesmo o objetivo é formar professores intensivistas com perfil ético, humano e qualificados. Implementam técnicas e aulas interativas com discussão interdisciplinar.

São mais de três mil profissionais treinados que trabalham em hospitais e colaborando no atendimento e no ensino público e privado com experiência profissionalizante.

" A SOBRATI ACREDITA NA MUDANÇA, NO AMOR E NO SER HUMANO ESPIRITUALIZADO QUE EXISTE NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE - EDUCA, ENSINA E FORMA UMA NOVA GERAÇÃO QUE TERÁ O PRIVILÉGIO DE RECEBER E TRATAR O PACIENTE E SUA FAMÍLIA - INTENSIVISTAS QUE ACREDITAM QUE TODO BRASILEIRO PODE E DEVE TER UM LEITO DE UTI A SUA ESPERA - UM LEITO DE ESPERANÇA - UM LEITO DE SUPERAÇÃO - ACREDITA NA CRIAÇÃO E NOS HOMENS E MULHERES QUE AGEM CONFORME A SUA CONSCIÊNCIA PARA O BEM DA HUMANIDADE E NA DIGNIDADE HUMANA. PARABÉNS PROFISSIONAIS PROFESSORES INTENSIVISTAS DA SOBRATI - UM ORGULHO PARA O BRASIL "

" SOBRATI, UM SONHO QUE SE TORNOU REALIDADE "

NOSSOS AGRADECIMENTOS À TODOS SÓCIOS, DIRETORES, PROFESSORES, ESPECIALIZANDOS, MESTRANDOS, DOUTORANDOS E PROFISSIONAIS QUE COLABORARAM NA FORMAÇÃO DA MAIOR SOCIEDADE MUNDIAL DE UTI.

sábado, 4 de fevereiro de 2012


Avaliação Fisioterapêutica na UTI

Especializanda: Ivana A. de Oliveira

Palavras-chave: avaliação, tratamento, diagnóstico

Com o crescimento no campo da Fisioterapia Intensiva, as exigências quanto a melhorias nas habilidades de uma avaliação competente à beira leito são cada vez mais necessárias e de suma importância ao que diz respeito principalmente a um correto direcionamento ao tratamento que promova, da forma mais rápida possível, a evolução positiva desse paciente.

De acordo com Sarmento (2007), sem uma avaliação adequada é impossível desenvolver um plano de tratamento apropriado. É através da avaliação que se permite identificar as alterações apresentadas pelo paciente e traçar os objetivos e as condutas fisioterapêuticas. Essa avaliação deve ser constante para identificar se os objetivos estão sendo atingidos ou se outras alterações podem surgir.

Existem vários protocolos que podem ser seguidos como critério de avaliação, normalmente ficando a cargo do Fisioterapeuta.

Mediante estudos realizados por Riella (et al, 2011), rotineiramente, na primeira parte deverá conter os dados pessoais do paciente, como nome, idade, endereço, número de registro do hospital, data da internação, além do diagnóstico e motivo de admissão. A segunda parte resume a história clínica e a avaliação fisioterapêutica.

A natureza das diferentes informações pertinentes ao fisioterapeuta na disposição dos

dados em uma avaliação foram divididos em variáveis principais e importantes:

· Sinais vitais: temperatura, pressão arterial, freqüência respiratória e cardíaca, ausculta pulmonar.

· Exames laboratoriais: dados importantes de informação sobre o estado geral do paciente (hemodinâmico e metabólico).

· Imagens: dados de informação sobre possíveis conseqüências pulmonares, cardíacas,

neurológicas e ortopédicas causadas pela patologia.

· Intercorrências: acompanhamento detalhado do paciente desde sua entrada na UTI até o momento atual, sobre possíveis problemas ocorridos durante este período.

· Anamnese: observação direta e rápida do paciente sobre seu estado atual.

· Exame físico: coleta e observação de dados pertinentes às patologias específicas de cada paciente, relacionados ao tipo de tórax, padrões respiratórios, grau de sedação, noções espacial e temporal do paciente, sinais clínicos.

· Objetivos do tratamento: texto livre de responsabilidade do fisioterapeuta acerca dos

objetivos estipulados visando a melhora e as necessidades do paciente no momento.

· Conduta fisioterapêutica: texto livre e esclarecedor sobre os procedimentos e técnicas

aplicadas no paciente para melhora do quadro clínico (RIELLA, et al 2011).

Normalmente, o exame físico do paciente começa pela observação do nível de consciência. Inicialmente é verificado se o paciente está acordado ou não, isso irá determinar qual escala será usada para a avaliação. Se o paciente estiver acordado, com ausência de sedação, opta-se pela utilização da Escala de Glasgow. Se o paciente estiver sedado, opta-se pela utilização da Escala de Ramsey.

Em seguida, a avaliação neurológica se faz necessária a fim de identificar possíveis comprometimentos do sistema nervoso central que necessite de intervenção imediata. Fatores como apresentação das pupilas e sensibilidade, capacidade de falar, tônus muscular e mobilidade são essenciais para avaliar possíveis lesões.

Os dados gasométricos são importantes principalmente para os pacientes que estejam em ventilação mecânica para que sejam verificados os níveis dos gases de forma invasiva, por tanto mais fidedigna. Esses dados serão interpretados de forma que garantam a devida programação dos parâmetros ventilatórios adequados a cada paciente.

Os registros de acompanhamento são realizados, normalmente, toda vez que o paciente for submetido ao tratamento fisioterapêutico, resultando numa evolução temporal dos dados do paciente. Assim, toda vez que este for acompanhado pela Fisioterapia, seus dados são anotados e arquivados para que possam ser consultados, por medida de controle e evolução, por outros profissionais da saúde, de maneira a exercer uma equipe multidisciplinar dentro de uma UTI. Como exemplo, pode-se citar um histórico das imagens obtidas desde o primeiro atendimento fisioterapêutico até o atual, a fim de se comparar uma visível melhora e/ou piora do quadro, ou até mesmo estipular novas terapias e condutas (RIELLA, et al 2011).

Baseado nessas informações, Sarmento (2007) conclui que são vários os fatores que devem ser avaliados diária e constantemente para assegurar um bom atendimento ao paciente, já que aqueles de terapia intensiva estão sujeitos a alterações hemodinâmicas, cardíacas, respiratórias e neurológicas. Uma equipe multiprofissional com conhecimento e experiência poderá diminuir a morbidade e mortalidade desses pacientes.

Referências

SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia Respiratória no Paciente Crítico – Rotinas Clínicas. 2ª edição. Manole. 2007.

CHY, Anny, RIELLA, Caroline Leitão, CAMILOTTI, Bárbara Maria, ISRAEL, Vera Lucia - PEP: Critérios de avaliação fisioterapêutica em UTI – Soc. Bras. de Informática em Saúde 2011. Acesso: 01.02.2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

Monitorização Respiratória

Monitorização Respiratória

Palavras-chave: monitorização respiratória, mecânica ventilatória, ventilação mecânica.

Definição

A monitorização respiratória é definida como a observação contínua e/ou intermitente do comportamento da função pulmonar (SARMENTO, 2006). Nesse sentido, NET (2002), diz que a monitorização dessa substituição da função pulmonar, pelo ventilador mecânico, estará voltada a constatar que os objetivos de corrigir a hipoventilação, melhorar a oxigenação e o transporte de oxigênio serão conseguidos. Assegurando que haja uma espirometria adequada, uma análise das alterações da mecânica pulmonar, e observando a repercussão de diferentes tipos de pressão torácica e o que isso influi no sistema cardiocirculatório. No entender de FAUSTINO (2007), “a monitorização da mecânica pulmonar em pacientes sob ventilação mecânica em unidade de terapia intensiva (UTI) pode fornecer dados relevantes e deve ser implementada de forma sistemática e racional”.

A ventilação mecânica é um suporte ventilatório ou uma ventilação artificial que é utilizada para substituir a função pulmonar e para cumprir com objetivos anteriormente citados. Na monitorização também são avaliados os possíveis desconfortos que podem ser produzidos a partir do uso do ventilador mecânico, das patologias que podem estar associadas e a busca pela monitorização adequada vai desde uma análise de uma radiografia até um cultivo pulmonar com cateter protegido de acordo com NET (2002).

Na monitorização é avaliada a presença de tubo orotraqueal ou traqueostomia, no ventilador mecânico são analisados quais modos e modalidades ventilatórias que serão empregados, pressão de pico, pressão de platô, o volume corrente, pressão controlada, pressão de suporte, pressão positiva expiratória final, tempo inspiratório, tempo expiratório, relação I:E, fração inspirada de oxigênio (FiO) e sensibilidade. Deve ser analisada também a gasometria, onde são verificados: pH; PaCO; HCO3; PaO; BE; SatO.

Conforme SARMENTO (2006) é necessário que seja realizada uma monitorização da musculatura respiratória, da atividade do centro respiratório e da mecânica respiratória. A monitorização da força muscular verifica se o paciente tem força para sair da prótese ventilatória, onde a força inspiratória máxima mostra se o paciente está capacitado para gerar volume adequado de ar, mantendo uma ventilação espontânea, assim como, a pressão expiratória máxima, nos indica quanto de força expiratória determinado paciente possui e se o mesmo é capaz de realizar a tosse e promover higiene brônquica adequada. Já na monitorização do centro respiratório avalia através do drive respiratório se o impulso ventilatório está elevado, o que demonstraria um aumento do trabalho respiratório durante os ciclos assistidos pelo ventilador mecânico, isto também pode ser considerado um fator determinante para indicar se há ou não capacidade do paciente em sair do uso do suporte ventilatório, além de outros testes que são realizados para que seja feito o desmame, que não serão abordados neste estudo.

Na mecânica respiratória monitoriza-se a situação pulmonar do paciente e sua evolução, este fator é de suma importância, pois, indica qual seria a melhor modalidade a ser ajustada e auxilia no planejamento do desmame. Na mecânica ventilatória são analisados: VT espontâneo; VE=VC. FR; FR espontânea; Complacência estática (Cest); Complacência dinâmica (Cdin); Resistência; Ind. de Tobin; PEEP ideal; PaO/FiO.

A complacência é uma dada relação entre a variação de volume de gás que é deslocado e a pressão necessária para manter o sistema respiratório insuflado. A mesma pode ser estática ou dinâmica. Onde a estática é a medição quando o fluxo é zero, no momento da pausa inspiratória quando há a pressão de platô, isso nos permite notar a distensibilidade pulmonar, e a dinâmica corresponde à pressão de pico. Ambas possuem valores de normalidade, respectivamente, de 50 a 100 ml/ cmHO e de 100 a 200 ml/cmHO. Nesse sentido, SARMENTO (2006) considera que “a monitorização da Cest permite avaliar a evolução e a resposta terapêutica como PEEP recrutativo e a mudança de decúbito prona na SARA”.

Dessa forma, podemos considerar a monitorização como um processo indispensável na prática do atendimento em unidades de terapia intensiva. Sendo um tema bem abrangente, fornecendo relevantes dados que compõem uma boa avaliação fisioterapêutica. Fundamental para que seja traçada uma conduta correspondente ao quadro clínico específico de cada paciente admitido na UTI sob uso de ventilação artificial.

Referências

FAUSTINO, Eduardo Antonio. Revista Brasileira de Terapia Intensiva: Mecânica Pulmonar de Pacientes em Suporte Ventilatório na Unidade de Terapia Intensiva. Conceitos e Monitorização. Vol.19, nº 2, p.161-169, Abril-Junho, 2007.

NET, Àlvar. Ventilação Mecânica. Ed. 3ª. RJ. Editora Revinter Ltda, 2002.

SARMENTO, George Jerre Vieira. Fisioterapia em UTI- Vol.1: Avaliação e Procedimentos. Séries Clínicas Brasileiras de Medicina Intensiva. Editora Atheneu. SP, 2006. ica. 9nho, 2007.rizado na UTI.

Especializanda: Bárbara Tinôco Sales.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ventilação Mecânica na Asma

Ventilação Mecânica na Asma

Especializanda: Aline Láurea

Fisiopatologia

Asma é uma doença inflamatória das vias áreas, caracterizada por episódios recorrentes da obstrução ao fluxo de ar reversível espontaneamente ou com uso de medicações. A crise aguda da asma muitas vezes é controlada no pronto-socorro, com medicações broncodilatadoras. Entretanto, uma pequena parcela dos pacientes não responde ao tratamento inicial e precisa de suporte ventilatório.

O principal mecanismo fisiopatológico responsável pela insuficiência respiratória nos asmáticos é a alta resistência de vias aéreas. A resistência aumentada ao fluxo é a mais critica na fase expiratória e leva a um aumento do esforço respiratório, a hiperinsuflação e ao desenvolvimento de auto-PEEP. Quando não há resposta adequada ao uso de broncodilatadores, o paciente pode evoluir para fadiga respiratória e retenção de CO2, que precisam ser prontamente tratadas.

Ventilação Mecânica

O uso de ventilação não-invasiva em asmáticos pode ser utilizado em pacientes admitidos na UTI que ainda não apresentam fator de gravidade como ausência do murmúrio vesicular, acidose grave, instabilidade hemodinâmica ou alteração do estado de consciência. A intubação deve ser feita se o paciente não apresentar melhora rápida com o uso de ventilação não-invasiva.

No uso de ventilação não-invasiva é importante ressaltar que esse paciente já apresenta hiperinsuflação pulmonar. Geralmente ocorre um erro comum ao programar altos valores de pressão nas vias áreas para se obterem volume-minuto alto. Em sua maioria esses pacientes são hiperinsuflados e apresentam auto-PEEP, o uso dos autos picos de pressão podendo ocasionar altas pressões alveolares e aumentar bastante o risco de pneumotórax.

A ventilação mecânica é feita inicialmente no modo pressão controlada-PCV, não sendo possível utiliza-se o modo de volume controlado com a onda de fluxo decrescente. Para redução da auto-PEEP , devem ser utilizados no modo volume controlado, altos fluxos expiratórios e baixa freqüência respiratória para aumentar o tempo expiratório e permitir um esvaziamento pulmonar adequado.O cuidado para ser evitado um barotrauma deve ser sempre tomado.

Apresentando o paciente melhora do broncoespasmo, o desmame deve ser iniciado. A pressão se suporte é preferível para limitar a pressão alveolar e observar a freqüência respiratória do paciente que não deve elevar-se pelo risco da retorno da auto-PEEP.

Parâmetro

Valor Preconizado

1. Volume corrente

5-8 mL/kg

2. Frequência respiratória

8-12/min

3. Fluxo inpiratório

5-6 x volume minuto

4. Pico de pressão

<50 cmH2O

5. Pressão de platô

<30 cmH2O

6. Auto PEEP

<15 cmH2O

7. PaCO2

>40 e <90 mmHg

8. pH

>7,2

9. PaO2

>80 e <120mmHg

Rodrigues-Machado, Maria da Glória. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação/Maria da Gloria Rodrigues Machado. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2008.

Piva, JP e Garcia, PCR. Ventilação mecânica em pediatria. Em Piva,J, Carvalho,P e Garcia, PC: Terapia Intensiva em Pediatria, 2ª edição, 1990.